Pelo menos 179 pessoas estão na fila por um leito em hospitais no Piauí e na capital Teresina. Destes, 98 são pacientes que aguardam por vaga em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 81 esperam por um leito clínico. Os dados são da Superintendência de Gestão de Média e Alta Complexidade do Estado e estão atualizados até às 8h da manhã desta quarta-feira (24/03).
Até o momento, os gestores confirmaram que uma pessoa morreu enquanto aguardava UTI. Se trata do idoso Francisco Xavier de Sousa, de 92 anos, que faleceu na madrugada do último dia 22, no chão de hospital da rede municipal de Teresina. No entanto, este número pode ser maior. Segundo prefeito de Campo Maior, Joãozinho Félix (MDB), por falta de vagas no Hospital Regional da cidade dois pacientes morreram dentro de ambulâncias na noite da terça-feira (23). A Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi) negou.
Os demais pacientes que aguardam por um leito de UTI pertencem a 29 cidades e aqueles precisam de um leito clínico estão distribuídos em nove. Veja:

PESQUISADOR RECOMENDA ‘LOCKDOWN’ DE 21 DIAS
Segundo o pesquisador Emídio Matos, que compõe o núcleo responsável por desempenhar estudos sobre a Covid-19 no Piauí, o desafio principal para reverter esse cenário é quebrar o ciclo de transmissão da doença. O grupo ligado a Universidade Federal no Piauí (UFPI), recomenda um lockdown de 21 dias como medida para diminuir a taxa de transmissibilidade e, consequentemente, reter o número de internações.
“Tenho feito a analogia que estamos com uma torneira pingando e temos um balde, que representa os leitos de UTI. Só que o problema não é o balde, é a torneira que está pingando, que é a transmissão descontrolada. Ou corrigimos essa torneira pingando ou não terá balde capaz de aparar tanta água”, explicou ao OitoMeia.

Recentemente, o Conselho de Operações Emergenciais (COE) fez o alerta: apenas o aumento do número de leitos não seria o bastante para que a rede de saúde não venha a colapsar, caso o número de infectados não venha diminuir.
LOCKDOWN INTELIGENTE
Segundo Emídio Matos, o grupo recomendou ao COE que siga um modelo que nomearam de “lockdown inteligente”. Ou seja, medidas de restrição acompanhadas de rigoroso suporte social. Neste modelo, o estado asseguraria:
- apoio econômico para famílias que trabalham no setor informal;
- respeitar as regiões de saúde que se tem riscos epidemiológicos diferentes;
- levar em conta cada setor da economia, onde tem surto da doença e onde não tem
Além disso, o pesquisador também aponta a ampliação da vacinação e testagem como determinantes.
Veja na integra recomendações ao COE:
SUSPEITA DE VARIANTES E TESTAGEM
De acordo com Matos, existem suspeitas que o aumento de casos e internações no Piauí pode estar relacionado a presença de variantes da Covid-19 no estado. No entanto, sequer pode haver a confirmação, pois não há testagem de ampliada, para que a doença possa ser rastreada de forma efetiva.
“Melhorar a nossa vigilância laboratorial. Tudo leva a crer, pelo aumento exponencial de casos, que temos variantes circulando no Piauí. No entanto, ainda não sabemos disso, pois não estamos testando. É preciso testar, com resultados rápidos e rastreio de casos, para fazer o isolamento social. Do contrário, não consigo quebrar o ciclo de transmissão do vírus. Quem faz isso é a atenção primaria, as UBS, é preciso fortalecer essas equipes”, explicou.

EXEMPLO A SER SEGUIDO
Para tal, o professor apontou o exemplo da cidade de Patos do Piauí. O município não registra casos de Covid-10 há pelo menos 20 dias e foi destaque nacional na última segunda-feira (22). “Eles estão fazendo o básico, oferecendo máscara para quem está sem, testando os contatos, aconselhando o isolamento”, avaliou.
FONTE: Oito Meia








