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Ufpi não tem garantia de pagamento de água e luz: entenda a situação fiscal

Depois de o presidente da República, o peemedebista Michel Temer, em reunião no G-20 (encontro das maiores potências do mundo), anunciar que não há crise econômica no Brasil, a notícia de que as universidades federais só têm verbas de custeio até setembro soa até como piada. A Universidade Federal do Piauí (Ufpi) não está fora desse bolo, mas esclarece alguns pontos ao OitoMeia sobre contingenciamentos e realocação de gastos na instituição.

Embora os olhares a esses gastos estejam atentos, vale ressaltar que não há nenhuma necessidade de custeio à Ufpi (Foto: Édrian Santos/OitoMeia)

O entrevistado foi André Macedo, pró-reitor de Planejamento da instituição, na manhã desta segunda-feira (10/07). De início, é ressaltado que os gastos com água, luz, terceirizados, bolsas de auxílio estudantil, passagens, telefone estão em jogo. “O que nos impacta, assim como nas outras universidades, é que do orçamento previsto para este ano, nós só temos liberado 70% do custeio e 30% do capital [relativo a investimentos]. Esta é a situação preocupante”, explica.

Embora os olhares a esses gastos estejam atentos, vale ressaltar que não há nenhuma necessidade de custeio à Ufpi. A conta de luz ainda está em dia, devido o ano estar na metade. Por outro lado, não se tem a garantia de que haverá recursos até o fim do ano, o que pode prejudicar vários segmentos da universidade. “A rigor, o compromisso do Ministério da Educação [MEC] está regular, até agora”, salienta o pró-reitor ao OitoMeia.

CORTE DE 20%

Uma portaria do Ministério do Planejamento definiu um teto de gastos para algumas despesas, sendo o caso dos terceirizados, como a demissão ou realocação de funcionários para outras áreas. “Na verdade, o corte global é de 20% em cima de várias coisas, como terceirizados, passagens diárias, locação de carros por conta dessa portaria que limita gastos em todos os órgãos do MEC”, explica André Macedo.

De 2016 para 2017, houve uma realocação de pouco mais de R$ 10 milhões. A administração superior da Ufpi confirma a preocupação no orçamento até setembro, mas ressalta a promessa de que o governo Federal, até o final de julho, vai acrescer 25% aos custeios e 30% ao capital para investimentos. “Do ponto de vista do governo, ele já está entregando o que é para a universidade, que é bem menor que ano passado”, analisa o gestor.

André Macedo ainda fez um balanço ao OitoMeia sobre a administração em vários setores da Ufpi. Todas as obras estão emprenhadas, mas novas não serão executadas antes de se ter 100% do financiamento; até 1º de julho, todas as notas fiscais apresentam o pagamento dos custeios da universidade; e todas as bolsas de auxílio estudantil estão pagas.

ALUNOS SENTEM CRISE

O ânimo da pró-Reitoria de Planejamento parece não refletir o cotidiano dos alunos da Ufpi. Restaurantes Universitários (RUs), laboratórios, obras, auxílio estudantil e, principalmente, a situação dos terceirizados são os casos mais sentidos pelos estudantes. “A gente tem muita carência. O CCHL [Centro de Ciências Humanas e Letras], por exemplo, em termos de infraestrutura, está defasado”, diz o estudante de Economia Allefy Morais, membro do Diretório Central Estudantil (DCE).

“É fato que a gente já está sentindo as complicações devido aos cortes e que há uma série de necessidades dos cursos e dos Centros que não vão ser satisfeitas, dentro desse contexto de austeridade fiscal”, conclui o estudante.

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) calcula que, de 2015 para 2017, a verba para a produção de conhecimento (universidades, pós-graduação e Ministério da Ciência e Tecnologia) sofreu corte de 50%. O Ministério da Educação diz que as universidades foram atingidas porque precisam contribuir com o esforço de reduzir o rombo nas contas da União, já que a pasta sofreu um corte de R$ 3,6 bilhões com o contingenciamento deste ano.

 

Fonte: Oito Meia

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