O especial Janelas de Natal apresentou uma história inspiradora no episódio “Janelas de Sucesso” deste sábado (6): a trajetória de Thiago Camelo, jovem do espectro autista nível 1 que superou desafios, encontrou apoio e conquistou um sonho: ser aprovado no vestibular de Medicina em uma universidade pública.
Estudante no campus da Universidade Federal do Delta do Parnaíba (UFDPar), em Parnaíba, no litoral do estado, Thiaguinho segue determinado a transformar as diferenças em força para seguir em frente. A história de Thiaguinho mostra que neurodivergência não é sinônimo de limitação, mas de novas formas de ver o mundo e enfrentar desafios.
Foto: Reprodução TV
Segundo a mãe, Marília Medeiros, Desde criança, o estudante já demonstrava características marcantes, ela recorda dos primeiros anos ainda quando moravam em Campo Maior, a 80 km de Teresina.
“Thiaguinho era uma criança muito inteligente, alegre, muito desinquieta. Tinha hiperatividade aguçada, não se sentava nem para assistir televisão. Tudo chamava a atenção dele, principalmente a leitura. Dormia pouco, era muito curioso. Isso com dois anos de idade”, lembra a mãe.
O diagnóstico de autismo veio cedo, mas em vez de se tornar obstáculo, tornou-se parte da identidade e da força do jovem. Já no ensino superior, a rotina exigiu adaptações. Para as avaliações práticas do curso, o tempo reduzido era um desafio.
“No início precisei de algumas adaptações. A prova prática tem tempo específico e isso deixava o raciocínio mais difícil. Fui até os núcleos de acessibilidade, conversei com professores e fiz as adaptações necessárias”, conta Thiaguinho.
Na UFDPar tem um Núcleo de Inclusão que acompanha cada estudante com necessidades específicas.
“Nós fazemos uma triagem para identificar potencialidades e necessidades. A partir disso, elaboramos um plano individualizado de acompanhamento todos os semestres”, explicou o chefe do setor, Márcio Araújo.
A universidade também dispõe de tecnologias assistivas que ajudam no processo de aprendizagem, como abafadores, que auxiliam alunos que têm sensibilidade ao ruído.
Foto: Reprodução TV
Vestibular e cirurgia da mãe
A caminhada até à universidade exigiu força da família. Em 2022, no mesmo ano em que Thiaguinho passou no vestibular, a mãe precisou enfrentar uma cirurgia no crânio. Mesmo assim, não deixou que nada comprometesse o sonho do filho.
“Com três meses de operada fiz a matrícula institucional para ele não perder a vaga. Foi quando viemos morar em Parnaíba”, relata Marília.
Hoje, já integrado à rotina universitária, Thiaguinho segue alimentando o sonho de se tornar médico. A inspiração veio de uma série americana com um protagonista autista.
“Depois que assisti, pensei: eu posso ser como ele. Posso trazê-lo para a vida real.”
E segue adiante com gratidão e esperança.
“É se permitir sonhar. Eu me vejo em outra alma. Gratidão pelo futuro. Obrigado a Deus por permitir você na minha vida”, diz o estudante.
O episódio “Janelas de Sucesso” emociona e inspira, mostrando que cada conquista é possível quando se respeita o tempo, o jeito e a singularidade de cada pessoa.
Foto: Reprodução TV
Doação à AMA-PI
A AMA-PI (Associação de Amigos dos Autistas do Piauí) registra fila de espera com mais de 600 famílias. A instituição atende cerca de 200 crianças, jovens e adultos autistas há 25 anos e mantém atividades com limitações estruturais e de pessoal. A campanha Janelas de Natal, do Grupo Cidade Verde, pretende mobilizar doações para reforçar os serviços e ampliar a capacidade de atendimento.
PIX para doações:
Chave (e-mail): amajanelasdenatal@gmail.com
Mitos e Verdades
Mesmo falando sobre autismo, ainda se tem dúvidas sobre o assunto. A neuropediatra Maria do Socorro Melo, esclarece alguns pontos no quadro Autismo: Mitos e Verdades.
O diagnóstico e apoio precoces fazem a diferença?
SIM
“Essa aí é a resposta que eu gosto mais de dar. Realmente, o diagnóstico e as intervenções precoces fazem toda a diferença. Quanto mais cedo se diagnosticar esse transtorno numa criança e mais cedo ela tiver a oportunidade de ir a intervenções, ela vai melhorar muito, dependendo também da sua genética. Se ela tiver junto outro transtorno, por exemplo, deficiência intelectual, já não é assim tão bom”.
O autismo pode se manifestar de forma diferente em meninos e meninas?
SIM
“O autismo, no geral, se mostra diferente no menino e na menina, até por causa das redes neurais dos dois grupos. O menino foi muito descrito por todos os escritores na literatura, nos cinemas, ele tem aquele estereótipo de ser mais agitado, com mais estereotipias, etc. A menina, ela tem, na sua genética, a possibilidade de imitar mais facilmente. E aí ela imita a mamãe, imita a família, e ela não dá muito manchete no início. Embora ela sinta que não corresponde ao que a sociedade, ao que as coleguinhas pedem. E na vida, na juventude ou na vida adulta, ela começa a ter muitos sintomas de inadequação e sentimentos, que nós chamamos de sintomas internalizantes. E isso pode, se não tratado, se não acompanhado, se não ajudado, pode se transformar em outras doenças também”.
Janelas da Esperança
As famílias acompanhadas pela Associação dos Amigos Autistas do Piauí abriram as janelas para deixar ecoar aquilo que mais precisam. Veja as mensagens:
“Oi, meu nome é Miguel e eu abro a janela para mais profissionais me atenderem.”
“Eu me chamo Luana Fachetti Rodrigues, sou mãe do Miguel e eu abro a janela para mais respeito, inclusão e mais estrutura para acolher os nossos autistas”.
“Eu sou José Fachetti Rodrigues, esse é o Azaf Fachetti Rodrigues, autista, suporte de nível 2. E nós abrimos a janela para a melhoria da inclusão social para a vida das nossas crianças autistas e especiais. Dentre essas petições, tais como na área da saúde, alimentação, transporte e escolas para as nossas crianças com autismo”.
Cidade Verde




.jpeg)
.jpeg)
.jpeg)




