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Entregas dos Correios: Atrasos persistem no Piauí mesmo após fim da greve

Consumidores relatam encomendas paradas e falta de informação; problema teria origem em dívidas com transportadoras terceirizadas e crise financeira da estatal.

Fernando Frazão/Agência Brasil

Mesmo após o encerramento da paralisação dos trabalhadores dos Correios, os atrasos nas entregas continuam gerando transtornos em todo o país. No Piauí, a situação não é diferente: consumidores relatam que encomendas não chegam no prazo, rastreamentos estão instáveis, sem previsão de entrega, e há uma notória falta de informações concretas sobre o paradeiro dos pacotes.

As reclamações têm se multiplicado nas redes sociais e em plataformas como o Reclame Aqui, que chegou a registrar cerca de 200 queixas contra a estatal em apenas uma hora no último dia 22 de maio.

No Piauí, os relatos apontam para atrasos superiores a uma semana. “Comprei alguns suplementos pela internet e eles demoraram quase duas semanas para chegar. Entrei em contato com a loja, mas me informaram que o produto já havia sido enviado e que o problema era com a transportadora”, disse um leitor do Portal O Dia, que preferiu não se identificar.

Outro problema recorrente é a instabilidade do rastreamento. Em muitos casos, os pacotes simplesmente deixam de apresentar qualquer estimativa de entrega. Foi o que aconteceu com a consultora de empresas Cibele Costa. “Estou revoltada com os Correios. Um pacote foi enviado no dia 25 de abril e, quando recebi o código de rastreio, a previsão era para o dia 12 de maio. No dia 11, entrei no site para verificar, e a previsão havia sumido. O pacote estava no mesmo lugar, sem qualquer movimentação. Depois de mais de um mês, fui à agência dos Correios e me disseram exatamente o que já constava no sistema: que o pacote está ‘no caminho’, mas sem previsão de entrega. Ninguém sabe de nada”, relatou a consultora.

Crise Financeira e Corte de Verbas Agravam Cenário

Segundo informações apuradas pelo O Dia, o problema teve início com o atraso nos pagamentos às transportadoras terceirizadas que prestam serviços logísticos aos Correios. Em 1º de maio, as empresas anunciaram a suspensão total das atividades, alegando inadimplência da estatal desde janeiro. A paralisação se baseou na Lei 14.133/2021, que permite a interrupção de contratos em caso de falta de pagamento por parte do contratante.

Em nota, as transportadoras afirmaram que “as empresas não receberam seus faturamentos de janeiro de 2025, o que torna impossível continuar executando os serviços de cargas e entregas em âmbito nacional”. Além disso, houve descumprimento das datas previstas para pagamento, que deveriam ocorrer nos dias 16 e 28 dos meses subsequentes.

Em resposta ao O Dia, os Correios afirmaram que 90% das encomendas estão sendo entregues dentro do prazo. A empresa informou que os contratos com prestadores de serviço logístico estão sendo regularizados, o que deve contribuir para a normalização gradual das operações, inclusive no Piauí. “Os contratos que estavam sendo revistos com as empresas prestadoras de serviço já foram, em sua maioria, ajustados e retomaram suas atividades. Ainda existem casos pontuais, mas uma empresa do porte dos Correios, com contratos de abrangência nacional, acaba sofrendo impactos em todas as regiões. A expectativa é que a situação esteja totalmente normalizada em até 15 dias”, informou a estatal por meio da assessoria de imprensa.

A empresa reconhece que enfrenta um momento financeiro delicado. Em 9 de maio, divulgou um relatório que apontou prejuízo de R$ 2,6 bilhões apenas em 2024, reflexo de uma crise enfrentada há anos. Como resposta, os Correios anunciaram um pacote de contenção de gastos com meta de economizar R$ 1,5 bilhão ainda este ano, incluindo suspensão de férias, redução de jornada de trabalho e cortes salariais.

Surpreendidos pelo anúncio das medidas de contenção, representantes da Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect) anunciaram que tomarão medidas jurídicas imediatas para reverter as decisões. Além disso, os sindicalistas pretendem lançar, no próximo dia 21 de maio, o Comitê em Defesa dos Correios, composto por representantes de sindicatos de todo o país. O objetivo é pressionar o Congresso Nacional e buscar uma audiência direta com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para apresentar a realidade enfrentada pelos trabalhadores da estatal.

O sindicato afirma que a empresa precisa urgentemente de um plano de investimentos do governo federal para manter sua capacidade de operação e competir com empresas privadas do setor logístico. Em carta divulgada à imprensa, o grupo também deixou um recado político: “Não aceitaremos retrocessos ou retirada de direitos. Elegemos este governo com a esperança de reconstruir tudo o que foi desmontado nos últimos anos e seguiremos firmes na luta para que isso se concretize.”

Os Correios orientam que situações específicas de atraso sejam reportadas à empresa por meio dos canais oficiais de relacionamento: telefones 3003-0100 e 0800 725 7282, Chat ou Fale Conosco no site oficial.

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