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Coordenador do Fórum dos Governadores, Wellington Dias, critica reajuste da Petrobras: ‘Tá demonstrado que o problema não é dos estados e municípios’

Para o gestor, o problema é a vinculação internacional e a falta de uma política governamental que reaja a essas instabilidades do mercado.

Foto: Roberta Aline

O governador do Piauí, Wellington Dias, coordenador do Fórum dos Governadores, destacou que o aumento no preço dos combustíveis, anunciado pela Petrobras nesta quinta-feira (10), não é culpa dos governadores, já que o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) está congelado. Para o gestor, o problema é a vinculação internacional e a falta de uma política governamental que reaja a essas instabilidades do mercado.

“VEJAM, COMO ESTÁ CONGELADO, A PARTIR DE UMA ATITUDE DOS GOVERNADORES O PREÇO DE REFERÊNCIA, PORTANTO, NÃO TEM AUMENTO DO ICMS. ISSO ESTÁ DEMONSTRADO, MAIS UMA VEZ, QUE O PROBLEMA DO AUMENTO DOS COMBUSTÍVEIS NÃO É O ICMS DOS ESTADOS E MUNICÍPIOS. O PROBLEMA É ESSA VINCULAÇÃO INTERNACIONAL, A FALTA DE UMA POLÍTICA CLARA E DAR A IMPORTÂNCIA DESSE PREÇO PARA O NOSSO POVO”, AFIRMOU WELLINGTON DIAS, AO CUMPRIR AGENDA PELO INTERIOR DO PIAUÍ, NESTA QUINTA-FEIRA (10).

Como coordenador do Fórum dos Governadores, ele disse que é preciso “atacar” o verdadeiro problema e que os estados e municípios estão com R$ 10 bilhões a menos nas receitas, desde que congelaram o ICMS, mas que é preciso ter uma resposta rápida do Congresso e do Governo Federal.

“É claro que também nós, os governadores e prefeitos, queremos solução para o alto preço dos combustíveis, mas é preciso que a gente faça isso resolvendo um problema sem criar outro. É assim que defendemos o fundo de estabilização do combustível. E ontem, até muito tarde da noite, tivemos dialogando com os senadores e qual foi o pedido? É pra que a gente possa encontrar uma solução, nós queremos contribuir. Mas é preciso trazer a Petrobras e o Governo Federal para a roda, para poder dar a solução ao preço dos combustíveis do Brasil”, destacou o gestor piauiense.

Dias alertou que as discussões devam ocorrer até o dia 20 de março, já que no fim do mês vence o prazo da medida de congelamento do valor de referência para os combustíveis. E destacou que continua em defesa de um Fundo de Equalização do preço dos combustíveis como uma alternativa para equilibrar as constantes altas no valor.

“AGORA, MAIS DO QUE NUNCA, COM A GUERRA DECRETADA ENTRE UCRÂNIA E RÚSSIA, PRECISAMOS TOMAR UMA DECISÃO, UMA VEZ QUE ELA REFLETE NA ALTERAÇÃO DO PREÇO DOS BARRIS DE PETRÓLEO. A NOSSA PROPOSTA É COLOCAR UM FUNDO, A PARTIR DE RECEITAS DA PRÓPRIA CADEIA PRODUTIVA DO PETRÓLEO E DE RECEITAS EXTRAS. O QUE GARANTIRÁ SUSTENTAÇÃO E ESTABILIDADE DO PREÇO DA GASOLINA E DO ÓLEO DIESEL”, CONCLUIU DIAS.

g1 registrou uma longa fila de carros em um posto de combustíveis no bairro Vermelha, Zona Sul da capital, nesta quinta-feira (10). Condutores disputavam o abastecimento com a gasolina custando R$ 6,78, já que a média do litro em Teresina ultrapassa R$ 7. A previsão é de chegar a até R$ 8.

Isso porque em meio à disparada dos preços do petróleo, a Petrobras anunciou nesta quinta-feira (10) reajustes nos preços de gasolina e diesel após quase 2 meses de valores congelados nas refinarias. O repasse deve acontecer a partir de sexta (11).

Condutores formam fila em posto com gasolina a R$ 6,78 em Teresina; preço pode chegar a R$ 8  — Foto: Andrê Nascimento/g1

Condutores formam fila em posto com gasolina a R$ 6,78 em Teresina; preço pode chegar a R$ 8 — Foto: Andrê Nascimento/g1

Contudo, na capital piauiense, na maioria dos postos o litro da gasolina comum já estava acima dos R$ 7 nessa quarta (9), em alguns chegando a custar R$ 7,25. Os condutores lamentam mais um aumento e o impacto no bolso.

“Está atrapalhando a vida de todo mundo, e para quem é aposentado fica ainda mais difícil. Mas uma hora vai chegar para que o governo o tome uma providência para acabar com essa falta de respeito com a gente. Soube agora há pouco da notícia, brinquei com um amigo que teria que ir na casa dele a pé agora. Mas pensei que o aumento seria amanhã. Por isso vim logo aproveitar”, disse Francisco Loyola, radialista aposentado.

Condutores formam fila em posto com gasolina a R$ 6,78 em Teresina; preço pode chegar a R$ 8  — Foto: Antônio Fernandes/Arquivo pessoal

Condutores formam fila em posto com gasolina a R$ 6,78 em Teresina; preço pode chegar a R$ 8 — Foto: Antônio Fernandes/Arquivo pessoal

Aumento de R$ 1 na bomba

O presidente do Sindicato dos Postos de Combustíveis (Sindpostos), Alexandre Valença, informou à TV Clube que em alguns postos o aumento já aconteceu porque os combustíveis não são repassados apenas pela Petrobras às distribuidoras, muitas das quais já compraram com o valor aumentado.

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Caroline Oliveira/g1

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Caroline Oliveira/g1

Segundo ele, a gasolina que custava em média R$ R$ 7 pode passar a custar R$ 8. Isso porque a média de aumento deve ser de cerca de R$ 1.

“ALGUMA COISA PERTO DE R$ 1, TANTO NO DIESEL QUANTO NA GASOLINA. FUI PEGO DE SURPRESA, NÃO FIZ CONTA. MAS A PANCADA FOI FORTE. ACREDITO QUE [DENTRO DAS PRÓXIMAS HORAS] DEVE AUMENTAR, O AUMENTO FOI MUITO MAIOR QUE A MARGEM DE CUSTO. O AUMENTO NA REFINARIA DA PETROBRAS IMPACTA, PORQUE É RESPONSÁVEL POR CERCA DE 60% DO FORNECIMENTO NO PAÍS. O QUE TÁ VINDO DE FORA, VEM CERCA DE R$ 2 MAIS CARO. MESMO COM AUMENTO DA PETROBRAS, AINDA É MAIS BARATO DO QUE O QUE VEM DE FORA”, INFORMOU.

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/g1

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/g1

O g1 procurou o Procon, órgão de defesa dos direitos do consumidor ligado ao Ministério Público, que informou que não há novas fiscalizações previstas.

No momento, o órgão informou que aguarda a defesa dos postos autuados por irregularidades em uma fiscalização realizada em 25 de fevereiro.

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/g1

Posto de gasolina em Teresina — Foto: Andrê Nascimento/g1

Aumento nacional

“Após 57 dias sem reajustes, a partir de 11/03/2022, a PetrobrasW fará ajustes nos seus preços de venda de gasolina e diesel para as distribuidoras”, informou a estatal, em comunicado.

A partir desta sexta-feira (11), o preço médio de venda da gasolina para as distribuidoras passará de R$ 3,25 para R$ 3,86 por litro, um aumento de 18,8%.

Para o diesel, o preço médio passará de R$ 3,61 para R$ 4,51 por litro, uma alta de 24,9%.

Composição de preço da gasolina — Foto: Arte g1

Composição de preço da gasolina — Foto: Arte g1

Fonte: G1 Piauí

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