A cidade de Jaicós entrou em colapso no abastecimento de água. O Açude Tiririca agoniza suas últimas gotas de água, o lençol freático baixou, os poços da Agespisa e do próprio município diminuíram a vazão e, praticamente toda a população da zona urbana passou a comprar água de uma semana para cá.
Preocupado com a situação o vice-prefeito Neném de Edite convidou na tarde desta quinta-feira (17) a TV Picos, afiliada da TV Antares em Teresina para mostrar a difícil situação pela qual passa a população jaicoense com o objetivo de chamar a atenção das autoridades.
Vice-prefeito Neném de Edite concede entrevista ao repórter Jonas Rocha da TV Picos
Em entrevista ao repórter Jonas Rocha da TV Picos, Neném de edite relatou que o Açude Tiririca construído no ano de 1981 já secou duas vezes, contando com este ano “Invernos inconstantes, seca prolongada, leito do açude soterrado e com o aumento da população urbana, nosso Tiririca não pode mais atender a demanda”, comentou.
O vice-prefeito disse que poços foram perfurados pela Agespisa, mas insuficientes para atender a demanda, principalmente nos meses mais quentes do ano: setembro, outubro, novembro e dezembro “Nesse período o lençol freático baixa demais, o consumo de água aumenta e se torna um Deus-nos-acuda”.
Neném comentou que o colapso de água em Jaicós já era pré-anunciado e nada foi feito por parte das autoridades “Vieram em Jaicós, governador, deputados, prometeram e não foram capazes de resolver o nosso maior problema hoje”.
O vice-prefeito disse que agora está confiante de que o problema de fato será resolvido “Nosso deputado estadual Georgiano esteve reunido com o governador Wellington Dias, oportunidade em que tratou do abastecimento de água em Jaicós. O governador disse que se reuniu recentemente em Brasília com o secretário nacional da Defesa Civil, Adriano Pereira Júnior. Na oportunidade, ele (governador) discutiu a crise de abastecimento que o Piauí enfrenta e debateu a necessidade de implementar alternativas rápidas e econômicas para dar solução aos efeitos da estiagem nos municípios, principalmente Jaicós. A Defesa Civil foi orientada a apresentar plano de trabalho, com previsão de custos com despesas, para em seguida ser autorizada a realizar processo licitatório que será concluído em vinte dias”.
Neném informou ainda “Que a água vira da barragem Poço de Marruás em Patos, através de uma adutora com extensão de 20km com estação de tratamento. O valor estimado da obra é R$ 40.000,000,00 (Quarenta Milhões) com recursos do Banco Mundial”.
A previsão da construção da adutora é para 2016, até lá, se não chover a população vai sofrer e muito com a escassez de água. Na rua Francisco Braz de Oliveira no bairro Nova Olinda as caixas de água são visíveis nas calçadas dos moradores à espera do precioso líquido.
O aposentado Francisco Bezerra disse que de alguns dias para cá passou a comprar água “Não vem mais água do Açude Tirrica. Ali, no chafariz onde a gente pegava água é uma situação difícil. Fila enorme e, na maioria das vezes a gente volta sem água porque acaba. E tem mais, depois do meio dia com a energia baixa o motor não liga mais e não puxa água. Somos obrigados a comprar água”, narrou.
O agricultor José Luciano Alves, também morador da rua Francisco Braz de Oliveira no bairro Nova Olinda, narrou a mesma história “Não vem mais água do açude. No chafariz em frente a Creche Tia Lourdinha é pouca água para muita gente. O jeito é comprar água”, lamentou.
A dona de casa Francisca Luiza da Silva, moradora da avenida João Manoel da Costa no bairro Nova Olinda, também contou que a situação ficou difícil “Estou a vinte dias sem água. Passei a comprar água duas vezes por semana nos carros. Numa crises dessas, sem dinheiro e ainda comprar água duas vezes por semana, não é fácil não”, lamentou.
Quem anda hoje, pelas ruas do centro ou de qualquer bairro de Jaicós, se depara com carros com caixas de água em cima que são vendidas para a população a um custo de R$ 10,00 (dez reais) 500 litros e R$ 20,00 (vinte reais) 1000 litros.
Veja os números do destino da água no Brasil:
Em cada residência, no Brasil, cerca de 200 litros diários são consumidos. 27% vão para consumo (cozinhar, beber água), 25% para higiene (banho, escovar os dentes), 12% para lavagem de roupa; 3% para outros fins (lavagem de carro) e, finalmente, 33% para descarga de banheiro. Isso mostra que poderíamos ter tanto nas cidades como nas indústrias duas redes de água, reusando a “água cinzenta”, que são as águas resultantes de lavagens e banho, para a descarga de latrinas. Através de uma solução como esta se poderia economizar 1/3 de toda água consumida. E vale a pena lembrar de alguns dados quando utilizamos a nossa água de cada dia.
Os números são da ONU, que alerta para o futuro do planeta:
– 40% da população mundial já enfrentam escassez de água;
– 2,2 milhões de pessoas morrem a cada ano por beberem água contaminada;
– aproximadamente 21 países já sofrem com a escassez de água;
– a partir de 2025, segundo a ONU, teremos uma séria crise de abastecimento de água, atingindo 2,8 bilhões de pessoas;
– conflitos violentos pelo controle da água são registrados em 70 regiões do planeta;
– o consumo mundial de água dobra a cada 20 anos;
– a disponibilidade de água per capita no planeta foi reduzida em 60% nos últimos 50 anos;
– 25% da população do planeta não têm acesso a água potável;
– no mundo, 50% da água que vão para as grandes cidades é desperdiçada;
– no Brasil este percentual chega a 40%;
– 99% da água existente no planeta não estão disponíveis para o uso humano;
– no mundo ocorrem 4 milhões de casos de diarreia por ano;
– 72% dos leitos hospitalares são ocupados por pacientes vítimas de doenças transmitidas pela água;
– 58% dos municípios brasileiros não têm água tratada.
FONTE: Portal Saiba Mais














