
O Açude Tiririca, principal fonte de abastecimento de água de Jaicós, no Sudeste do Piauí, enfrenta uma situação considerada crítica e pode secar nas próximas semanas. O alerta foi feito durante uma reunião realizada nesta terça-feira (21), na Câmara Municipal, com a participação de vereadores e representantes da empresa Águas do Piauí.
Atualmente, o reservatório é responsável por aproximadamente 60% do abastecimento da população jaicoense. A crise preocupa moradores que já enfrentam dificuldades no fornecimento de água, com relatos de bairros que chegam a passar até duas semanas sem abastecimento regular.
Durante o encontro, o gerente executivo do Semiárido Norte da Águas do Piauí, Lucas Marques, informou que o açude já opera em nível extremamente baixo e que a empresa trabalha na busca por alternativas emergenciais.
Segundo ele, o volume disponível no reservatório está próximo do chamado nível morto, quando a captação de água se torna limitada. “A gente está conseguindo entrar dentro da barragem até a parte da coxa, então, cerca de um metro e meio é o que a barragem tem”, afirmou.
O representante da concessionária destacou que a previsão é de que o problema se agrave até o fim do mês, com possibilidade de interrupção da captação caso o reservatório atinja o esgotamento total.
“Até o finalzinho desse mês, a gente já pode estar passando por alguns calores referentes à barragem secando, de fato. Não vamos ter como captar mais água”, explicou.

Falta de recarga do reservatório preocupa autoridades
Durante a reunião, Lucas Marques também explicou que a empresa analisou os motivos pelos quais o açude não conseguiu recuperar seu volume ao longo dos anos, mesmo em períodos de chuvas intensas na região.
Segundo ele, foram identificadas intervenções ao longo do curso da água, como barreiras construídas para outros fins, que podem estar dificultando a chegada de água ao reservatório.
O açude Tiririca sangrou apenas duas vezes desde sua construção, em 1981. A última vez ocorreu em 2004. Desde então, o reservatório nunca mais atingiu sua capacidade máxima, estimada em cerca de 4,6 milhões de metros cúbicos de água.
Empresa defende união de órgãos para buscar soluções
A Águas do Piauí informou que a situação exige a participação de outros órgãos estaduais e federais, como a Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), responsável pela administração de barragens.
Segundo a concessionária, mesmo com a futura chegada da adutora que levará água da Barragem Poço de Marruá, em Patos do Piauí, o sistema ainda deve levar alguns anos para entrar em funcionamento.
“Jaicós, por mais que tenha a adutora que já está sendo feita de Patos para cá, ainda tem três, quatro anos que ela vai demorar para ficar pronta. E a barragem de Jaicós não dura, acredito que mais um mês”, afirmou Lucas Marques.
Moradores buscam alternativas diante da falta de água
Enquanto aguardam medidas emergenciais, moradores de Jaicós têm recorrido a alternativas como a contratação de abastecimento por poços particulares e a compra de água de caminhões-pipa e cargas comercializadas por particulares.
A Câmara Municipal informou que continuará promovendo reuniões com a concessionária e buscando soluções para minimizar os impactos da crise hídrica que afeta o município.
Da Redação (Com informações do CidadesNaNet)







