
A Polícia Civil do Piauí concluiu o inquérito que investiga um suposto esquema de exploração sexual de adolescentes envolvendo o prefeito de Pio IX, Silas Noronha (PSD), e apontou indícios de utilização de recursos públicos para financiar as práticas investigadas.
O gestor foi indiciado pelos crimes de favorecimento à prostituição ou outra forma de exploração sexual de crianças e adolescentes, ameaça e peculato. Também foram indiciados o sobrinho do prefeito, Samuel Noronha, e o ex-servidor municipal Francisco Liedson, apontado como responsável por denunciar o caso.
A defesa de Silas Noronha informou que não irá se manifestar sobre o indiciamento neste momento. O espaço permanece aberto para posicionamentos dos demais envolvidos.
Investigação aponta desvio de recursos públicos
Segundo o delegado-geral da Polícia Civil do Piauí, Luccy Keiko, o inquérito identificou movimentações financeiras consideradas incompatíveis em contratos firmados pela Prefeitura de Pio IX com empresas fornecedoras.
De acordo com a investigação, somente uma empresa do setor de combustíveis teria movimentado mais de R$ 5 milhões em valores considerados suspeitos. O material será encaminhado à Delegacia de Combate à Corrupção (Decor), que deverá aprofundar a apuração sobre possíveis desvios de recursos públicos.
A Polícia Civil informou que os valores supostamente desviados poderiam ter sido utilizados para custear o esquema investigado, com participação de pessoas usadas como “laranjas” para receber recursos e realizar transferências via Pix.
Depoimentos de adolescentes foram considerados decisivos
Durante a investigação, quatro adolescentes foram ouvidas pela Polícia Civil. Segundo o delegado-geral, os relatos foram fundamentais para a conclusão do inquérito.
Luccy Keiko afirmou que os depoimentos apresentaram detalhes sobre supostos aliciamentos, pagamentos e a forma como os crimes teriam ocorrido.
A Polícia Civil informou que segue preservando a identidade das vítimas e que novas denúncias poderão gerar a abertura de outros procedimentos investigativos.
Prisão e medidas cautelares
Silas Noronha e Samuel Noronha chegaram a ser presos temporariamente em abril deste ano, durante a investigação. Posteriormente, ambos foram liberados por decisão judicial.
Mesmo após retornar ao cargo, o prefeito permanece submetido a medidas cautelares, incluindo a proibição de contato com testemunhas do caso.
Caso será analisado pelo Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o procedimento foi encaminhado ao Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI), que deverá analisar as provas reunidas pela Polícia Civil e decidir pelos próximos passos, como oferecimento de denúncia à Justiça, solicitação de novas diligências ou arquivamento.
As investigações tiveram início após denúncias feitas pelo ex-servidor Francisco Liedson, que afirmou ter sido contratado para intermediar contatos com adolescentes em troca de pagamentos. A Polícia Civil informou que o inquérito reuniu provas documentais, depoimentos e registros financeiros para fundamentar os indiciamentos.
Da Redação (Com informações do Cidade Verde)







