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Delegado Emir Maia justifica fake news de Marielle: “Ninguém com mais sensibilidade do que eu”

O delegado Emir Maia, ex-coordenador da Delegacia de Direitos Humanos e agora gerente de Policiamento do Interior (GPI), na manhã desta terça-feira (20/03), esteve na redação do OitoMeiapara prestar esclarecimentos sobre sofrer acusações de que espalhou “Fake News” sobre a vereadora Marielle Franco, assassinada na cidade do Rio de Janeiro, cuja principal suspeita é de execução.

Polêmica veio à tona após Emir Maia compartilhar notícias falsas contra Marielle num grupo de trabalho (Foto: Édrian Santos/OitoMeia)

As explicações públicas se deram após Marinalva Santana, integrante do Grupo Matizes, iniciar um abaixo-assinado para que a Secretaria de Segurança Pública do Piauí (SSP-PI) tome providências contra o delegado. A polêmica veio à tona após Emir compartilhar, em um grupo de trabalho no WhatsApp, uma notícia falsa de que Marielle foi “ex-mulher de traficante Marcinho VP” e que teria engravidado aos 16 anos, encerrando com a interrogação “Será?”.

“Preocupado com a questão da veracidade dos fatos, eu vi um vídeo de um suposto morador de uma comunidade do Rio de Janeiro, onde ele denegria a imagem da vereadora. Onde era o ambiente adequado para eu discutir esse tema? Naquele grupo de trabalho LGBT, até porque a vereadora era homossexual. Lá era o grupo pertinente e adequado para que as informações verídicas fossem dadas. Eu compartilhei e indaguei: ‘Será verdade?’”, explicou o delegado.

“EU FAZIA RONDA LGBT”

Emir esperava que alguém se pronunciasse no sentido de confirmar que a notícia compartilhada era falsa, o que, segundo ele não aconteceu. Ele acrescenta que a Marinalva, em seguida, informou que tal comportamento não deveria vir de um delegado e que tomaria as medidas cabíveis junto à SSP-PI.

“Hoje a Delegacia de Direitos Humanos tem a visibilidade que tem porque, em três anos de trabalho, ela foi levada ao interior e às comunidades. Hoje, todo mundo sabe a quem procurar. Nós somos, isso eu posso afirmar, o único delegado de polícia que sugeriu a criação de uma ronda LGBT noturna. Eu a fazia a cada 15 dias e o atual delegado disse que não faz mais a ronda LGBT”, declarou.

PARCEIRO DA MARINALVA

O gerente de Policiamento do Interior ainda pontua que é parceiro da Marinalva em várias causas sociais, de forma que foi pego de surpresa com as acusações. “Nós reconhecemos a Marinalva como uma lutadora”, salientou, discordando da possibilidade de perseguição. “Eu acredito que houve um equívoco, precipitação. Eu esperava que alguém me aclarasse àquela indagação, não de gerar essa especulação”, informou.

As informações de Emir Maia prosseguem e destacam que o delegado atua em favor das minorias (mulheres, negros, LGBTs, vítimas de torturas, etc.). “Sem nenhuma modéstia, não vejo ninguém com mais sensibilidade do que eu à frente da Delegacia de Direitos Humanos”, frisou e complementou que várias travestis do Piauí tem acesso ao número do seu telefone pessoal para possíveis emergências.

“SOMOS VÍTIMAS DE BOATOS”

Respondendo às críticas a respeito da midiatização do crime contra a vereadora Marielle, Emir é enfático ao cobrar providências contra os autores do assassinato e a respeito de tal motivação. “O que realmente eu sei é que ela era realmente à causa. Ela pugnava por transformações sociais, por inclusão social. Boatos saem e somos vítimas a todo instante”, defendeu-se.

MAIS CRITÉRIOS”

O grupo está encabeçando um abaixo-assinado. O documento, conforme informou Marinalva ao OitoMeia, na tarde da última segunda-feira (20/03), dispõe da assinatura de 12 entidades, mas pretende fechar em 20 para entregar à delegada Eugênia Vila, subsecretária de Segurança do Piauí. O grupo pede a substituição do delegado no grupo de trabalho e que a secretaria “tenha mais critério” na escolha de delegados de Direitos Humanos.

FONTE: Oito Meia

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