A Polícia Federal do Piauí (PF-PI) informou que dois servidores públicos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) estão sendo investigados por participação em uma organização criminosa que deu origem à Operação Falsários, realizada nesta sexta (28). Entre eles está um ex-gerente executivo do INSS no Piauí que já foi preso na Operação Bússola. Os servidores já foram afastados dos cargos. Quatro mulheres acusadas de participação no esquema foram presas.
Na manhã desta sexta-feira a Polícia Federal realizou uma entrevista coletiva explicando como funcionava o esquema que concedia de forma fraudulenta benefícios de salário-maternidade e aposentadoria por idade rural, mediante a falsificação de documentos públicos e privados, além do direcionamento de requerimentos.
Foram cumpridos 12 mandados, sendo dois mandados de prisão preventiva, dois mandados de prisão temporária e oito mandados de busca e apreensão nos municípios de Teresina e Parnaíba. Também foi realizada a apreensão de R$ 51 mil e dois veículos.
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Dinheiro foi apreendido durante a Operação Falsários da Polícia Federal, no Piauí — Foto: Divulgação/PF-PI
Foram presas quatro mulheres por meio de mandado de prisão. Já contra os dois servidores não existia mandado de prisão, mas foram expedidos mandados de busca e apreensão contra eles, além disso, a Justiça Federal determinou o afastamento deles dos cargos.
Os envolvidos
O delegado Albert Sérvio, delegado de Polícia Federal, informou que a investigação apontou a participação de dois servidores públicos que facilitavam a concessão de benefícios com documentos falsos.
Um deles já ocupou o cargo de gerente executivo do INSS no estado do Piauí e já estava afastado do serviço por conta da Operação Bússola, deflagrada pela Polícia Federal em Teresina em novembro de 2021, que apurava também fraudes em benefícios concedidos. A Justiça Federal já determinou o seu afastamento do serviço.
O outro servidor investigado trabalha na agência do INSS em Parnaíba, e atua na análise e concessão de benefícios. A Justiça também determinou o seu afastamento do serviço.
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Delegados da Polícia Federal no Piauí: Reinaldo Camelo, Albert Sérvio, Carlos Alberto Nascimento e Nivaldo Feitosa — Foto: Divulgação/PF-PI
Durante a operação foram presas quatro mulheres, suspeitas de serem responsáveis de buscar falsos beneficiários e elas tinham o vínculo com os servidores públicos para fazer com que os processos tivessem trâmite rápido e fossem aprovados sem a documentação adequada.
Um homem também foi preso em flagrante durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão após ser encontrada uma arma sem registro e com a numeração raspada.
Segundo a Polícia Federal, a organização atuava na região de Parnaíba, Luís Correia e em Camocim, no Ceará.
Como o esquema funcionava
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Polícia Federal deflagra operação Falsários no Piauí — Foto: Divulgação/PF-PI
A Polícia Federal iniciou a investigação em 2019 após uma denúncia. Com a investigação, os policiais descobriram que a organização trabalhava com o uso e produção de documentos falsos em processos de aposentadoria por idade rural e auxílio-maternidade.
Já foram identificados 553 benefícios com indícios de fraude, e a polícia que deve ter mais casos. O grupo é suspeito de gerar prejuízo de R$ 11 milhões.
“Esses benefícios vão ser submetidos por uma revisão administrativa pelo INSS. A suspensão desses benefícios, estima-se que foi um evitado um prejuízo na ordem de R$114 milhões, então é um resultado consistente e substancial. As diligências continuam, e vamos analisar todo o material apreendido”, explicou o delegado Albert Sérvio.
Segundo a Polícia Federal, a organização criminosa tinha uma divisão de tarefas, onde cada pessoa tinha uma função.
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Operação Falsários da Polícia Federal no Piauí — Foto: Divulgação/PF-PI
“Existia um núcleo de pessoas especializadas em buscar falsos beneficiários, e essas pessoas eram recrutadas não só no Piauí, mas no Ceará. Essas pessoas cediam seu dados e a partir disso os integrantes da organização criminosa produziam documentos falsos e davam entrada em benefícios de aposentadoria. Logo após o protocolo, esses benefícios eram direcionados ao servidor envolvido na organização criminosa, que dava o deferimento dos requerimentos, mesmo eles estando sem a mínima documentação adequada necessária para processos semelhantes”, explicou o delegado Albert Sérvio.
Quando o benefício era concedido, o beneficiário tinha que realizar um empréstimo para pagar a organização criminosa.
“O pagamento ocorria logo após o deferimento. O beneficiário era acompanhado pela organização criminosa até uma agência bancária para fazer empréstimo consignado, e o dinheiro arrecadado era destinado ao pagamento de vantagens indevidas. Depois disso o falso beneficiário ficava recebendo a aposentadoria por tempo indeterminado”, disse o delegado da PF.
Os benefícios concedidos
Os 553 benefícios que foram encontrados com indícios de fraude vão ser suspensos e vão passar por uma análise.
“Ocorre uma reanálise do benefício para que não se cometa a injustiça de cancelar para quem é realmente é devido. Contudo, se houve fraude, esse benefício vai ser levado à extinção, ressarcimento ou o crivo do INSS na esfera administrativa”, disse Carlos Alberto Nascimento, chefe da Delegacia Regional da Polícia Federal em Parnaíba.
FONTE: G1 PI







