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Negros ganham 76% a menos que brancos no Piauí: 4º estado do Nordeste

Um levantamento do G1, com dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) de 2016, confirma que negros podem receber até 76% a menos que brancos, no Piauí. O levantamento também destaca que pretos e pardos, em nível de Brasil, são maioria em profissões que exigem pouca qualificação (operador de telemarketing, vigilante e cortador de cana-de-açúcar). A reportagem nacional foi divulgada na manhã desta segunda-feira (14/05).

Ambientes de trabalho em que os subordinados são negros contam com uma maioria de profissionais brancos ocupando cargos de gerência (Foto Ilustrativa: Édrian Santos/OitoMeia)

Especialistas pontuam ao portal de notícias da Rede Globo que essa discrepância é fruto do abismo social que distancia brancos e negros da educação às oportunidades de ascensão profissional. Ainda de acordo com aqueles estudiosos, esses são ecos da escravidão, que perdurou durante anos no Brasil e foi encerrada com a Lei Áurea, que completou 130 anos no último domingo (13/05).

No grupo das profissões altamente qualificadas, como as de engenheiro da computação, professor Medicina e engenheiro aeronáutico, por exemplo, a maioria dos trabalhadores é branca. Nessas funções, o percentual de negros pode chegar abaixo dos 10%, enquanto o da etnia oposta pode ultrapassar os 90%. A equipe de reportagem analisou os vínculos empregatícios inscritos em mais de 2,5 mil ocupações.

Dos 46 milhões de trabalhadores com carteira assinada, 34 milhões declaravam cor e raça em 2016 – ainda havia 8,5 milhões que não foram classificados. A análise considerou apenas os declarantes. Dentre eles, pretos e pardos, que formam o grupo dos negros, somavam 14,1 milhões, enquanto brancos eram 19,4 milhões, amarelos, 274 mil, e indígenas, 75 mil.

No ranking do Nordeste, o Piauí ocupa a quart posição em relação à discrepância salarial entre negros e brancos (Reprodução G1)

No ranking do Nordeste, o Piauí ocupa a quart posição em relação à discrepância salarial entre negros e brancos, perdendo apenas para Sergipe (83,9%), Rio Grande do Norte (81,1%) e Paraíba (78,5%). O que explica essa situação, diz Guillermo Etkin, coordenador da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI-BA), “são basicamente dois aspectos: a escolaridade e a colocação [precoce] no mercado de trabalho, já que negros começam a trabalhar mais cedo, o que afeta na escolaridade”.

NEGROS SUBORDINADOS

Leila Gonzaga, pesquisadora da Fundação Sistema Educacional de Análise de Dados (Seade), reforça que o abismo no mercado de trabalho vai além do baixo acesso às salas de aula. “A discussão da desigualdade começa com nossa História. Fora isso, tem a ascensão na carreira e a questão do preconceito. A ascensão do negro é muito diferente do não negro em uma empresa”, comenta.

Os dados do MTE também mostram isso. Ambientes de trabalho em que os subordinados são negros contam com uma maioria de profissionais brancos ocupando cargos de gerência. Se 60% dos serventes de obra são negros, 52% dos mestres de obra são brancos. Enquanto três quartos dos operadores de telemarketing são negros, 53% dos supervisores são brancos.

DISTÂNCIAS MENORES

Os dados do Ministério do Trabalho mostram que, pelo menos no acesso a vagas com maior grau de instrução, a distância entre negros e brancos tem se encurtado, embora ainda esteja grande. Entre 2008 e 2016, aumentou em dez pontos percentuais a fatia de negros em vagas que pedem ensino superior.

Fonte: G1

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