Pelo sétimo dia, os caminhoneiros do Piauí ainda permanecem em greve, bloqueando parcialmente um trecho da BR-316, na zona Sul de Teresina, nas proximidades do Balão da Tabuleta. Confirmada na manhã desta terça-feira (29/05), a informação dos grevistas não dão prazo para o fim do movimento. Populares contribuem com donativos para que eles permaneçam com o ato de “paralisação do Brasil”, mesmo após responderem a um inquérito na Polícia Federal (PF), em depoimento dado na última segunda-feira (28/05).
Forças nacionais estão a postos para garantirem a entrega das cargas e a liberação das rodovias federais e caminhoneiros do Piauí se dizem dispostos a acatar ordens (Foto: Édrian Santos/OitoMeia)
“O inquérito da Polícia Federal, a pedido do governo para nos intimidar, é para saber se há investimentos de grandes empresários e de sindicatos por trás do nosso movimento. Brasil afora, somos pais de famílias, motoristas e não somos financiados por partidos políticos. No meu depoimento, levei apenas a verdade. Só estamos parados porque não temos mais condições de rodar”, desabafa ao OitoMeia Edvan Ferreira, considerado porta-voz dos caminhoneiros no Piauí.
A greve nacional iniciou no dia 21 de maio, uma segunda-feira. No Piauí, somente na quarta-feira (23/05) houve o primeiro ato, na zona Sul de Teresina. A principal pauta dos carreteiros é a redução do preço do diesel, mas eles também pedem apoio para a população manifestar-se contra a corrupção. De certa forma, está surtindo efeito, pois os trabalhadores recebem alimentos para continuarem com o protesto.
PROMESSA DE ACATAR FORÇAS FEDERAIS
O fato é que as forças nacionais estão a postos para garantirem a entrega das cargas e a liberação das rodovias federais. Em todo o estado do Piauí, pelo menos quatro pontos estão interditados. Segundo Edvan, e, Teresina, os grevistas ainda não foram alvos de coerção federal, mas que o movimento tende a acatar a decisão da PRF, PF ou Exército, caso seja ordenado. “Mesmo assim, a nossa intenção é mobilizar a população”, completa.
Para Edvan Ferreira, somente caminhões com cargas vivas e hospitalares podem furar bloqueio dos caminhoneiros na BR-316, em Teresina (Foto: Foto: Édrian Santos/OitoMeia)
O caminhoneiro volta a destacar que a proposta do governo de reduzir R$ 0,46 do diesel por 60 dias não interessa à categoria e que esse valor será pago pelos estados, que já sofrem com problemas quando às arrecadações próprias para investimentos em Educação, Saúde e demais serviços. “O presidente [Michel Temer] fechou um acordo, mas não reconhecemos essas entidades como nossas representantes. Eles não são caminhoneiros, mas sim meia dúzia de pelegos querendo atender aos interesses do governo”, conclui Edvan.
MENOS R$ 0,46 CUSTARÁ R$ 10 BI AO GOVERNO
No último domingo (27/05), o presidente Michel Temer anunciou novas medidas para a redução no valor do diesel, em mais uma tentativa de por fim à paralisação dos caminhoneiros que já está em seu nono dia e provoca desabastecimento em várias partes do país. Entre as medidas anunciadas, está a redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel por 60 dias e a isenção de pagamento de pedágio para eixos suspensos de caminhões vazios.
Representantes de caminhoneiros autônomos que se reuniram no Palácio do Planalto com Temer afirmaram que aprovam as medidas e que orientariam a categoria a encerrar a greve assim que elas fossem publicadas. Após a fala de Temer, o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) afirmou que essa redução de R$ 0,46 no preço do diesel custará ao governo R$ 10 bilhões e que os recursos serão cobertos pelo Tesouro via crédito extraordinário.
FONTE: Oito Meia







