DestaqueJaicósNoticias

Jaicós| Familiares homenageiam a saudosa e querida Heloísa de Sousa Bento (in memorian)

A jaicoense de 96 anos, mulher aguerrida, teve uma história de vida marcada pelo trabalho e muitos desafios, pois segundo a família, era muito guerreira.

Na última terça-feira, 09 de agosto, foi o sétimo dia do falecimento de Heloisa de Sousa Bento, filha de Maria de Nascimento de Jesus e Antônio Henrique de São Bento, Neta da parte de mãe da Bárbara Maria de Jesus e Aderson Herluz Reis e Neta da parte de Pai de Francisco Manuel de São Bento e Laurentina de Sousa Bento.

A jaicoense de 96 anos, mulher aguerrida, teve uma história de vida marcada pelo trabalho e muitos desafios, pois segundo a família, era muito guerreira. Sempre foi agricultora, comerciante, inspetora escolar, cuidadora de idoso e era a base da família, a qual ofereceu durante toda a sua vida uma preciosa dedicação.

Para os familiares, amigos e conhecidos ficarão só boas lembranças, histórias da sua luta e força, da sua fé em Deus e presença fiel na igreja católica, como o domingo na missa que eram de lei, foi até enquanto teve condições. Fazia questão de receber a visita da imagem de Nossa Senhora das Mercês nos festejos, os lanches eram preparados por suas mãos. Deus, era sua maior inspiração.

Sempre alegre, com um sorriso no rosto, sempre cheia de disposição e energia, a sua presença era marcada por boas ações, que de alguma maneira também contagiava quem estive em volta.

Entre as lembranças inesquecíveis que ficam na memória de familiares de Dona Heloísa está o seu envolvimento com a famosa feira de Jaicós, aonde também dedicou parte do seu tempo para a compra de mantimentos que fazia em Picos como arroz, macarrão, farinha, goma, banana e a venda deles que começava logo junto com ao raiar do sol. Fazia ela mesma o plantio de verduras no terreno para alimentar a todos em casa, vender e por vezes, doar. Engordava os porcos dos chiqueiros para o consumo da família e para compartilhamento com amigos.

De acordo com a sobrinha neta da Dona Heloísa, hoje arquiteta Isa Mara Vilela, ela mesma construiu a casa onde moraram por muitos anos, junto com sua bisavó Maria. “Passaram para a casa sem porta, botava os paus e a esteira.”

“Vendia bolo brevidade e bolo frito pois tinha forno de tijolo onde assava nos tabuleiro e vendia em casa para os conterrâneos”, relembra.

Dona de um coração imenso, Dona Heloísa cuidou dos irmãos, dos pais, dos tios, da cunhada, e da sobrinha Lydia até a sua morte, a quem ela gostava muito e até a chamava de liquinha e não mediu esforços para rodar o Brasil procurando a cura da doença dela.. Era muito acolhedora com as pessoas de fora e com a família. Criou e ajudou muito os filhos das suas amigas.

Para Isa Mara, o luto e a dor da falta da presença física é o preço do amor, que para ela não foi apenas tia-avó, foi mãe, pai, avó, amiga e filha. Segue o seu relato que expressa toda uma história de vida que com esse grande ser humano:

“Conheci minha tia há 31 anos, nessa época ela já tinha 65 anos, foi ela quem criou e educou minha mãezinha, que faleceu precocemente aos 49 anos, e há 10 anos éramos nós duas eu e minha linda tia.

Desde criança aprendi a trabalhar, via o exemplo dela, acompanhei a sua luta desde muito cedo, mesmo com 65 anos ela ainda fazia dindin na feira pra conseguir o sustento de casa e mesmo com um vendedor,  eu aos 4/5 anos de idade já sentia um interesse e entusiasmo para o trabalho, então ela não mediu esforço e comprou um isopor do meu tamanho, e colocou alguns dindins pra eu também pudesse ir vender.

Ela e minha mãe foram as maiores incentivadoras do meu estudo e do meu crescimento profissional e pessoal, minha tia é católica e tudo que sempre fez era com Deus na frente. Busco seguindo os passos dela. Falar da minha tia Heloísa é falar de algo divino, sagrado, ela é uma fonte de inspiração, meu exemplo de mulher, de força, de luta, de responsabilidade, de honestidade, de família e de fé. Ela sempre esteve à frente no cuidado de toda a família. Ela foi nossa base familiar, cuidou dos tios, das tias, dos pais, dos irmãos e dos de fora também, exemplo de doação.

A vida da minha tia não foi fácil, nunca teve luxo, passou a vida inteira trabalhando, plantando pra sustentar a família, comprava mercadorias e revendia na feira, levava bolos e oferecia para os conterrâneos em Jaicós, os famosos bolos de Dona Heloisa. Admiro tanto minha tia pela sua força e dedicação.

Tia criou Cirlene, sua afilhada, e mamãe que veio do Rio de Janeiro muito cedo, que sofria com um tumor na cabeça e que afetou sua visão, foi minha tia que rodou o Brasil com minha mãe para que encontrasse a cura. A maior preocupação da minha mãe seria como tia iria ficar caso ela falecesse, cheguei a visualizar isso nas redes sociais dela. Quando aconteceu o falecimento de minha mãe, eu tinha 21 anos, antes disso, fomos sempre só nós 3. Eu, mamãe e tia Heloísa. Eu tinha acabado de entrar na faculdade, tia tinha 85 anos e com início de Alzheimer, eu não sabia como lidar com nada dessa situação. Foi uma experiência e tanto, lidar com estudos, estágio, cuidar de tia…

Dias sem dormir, dias que pensei em desistir de tudo, porque era uma carga emocional muito grande. Só que eu olhava pra minha tia e ela me fazia viver de alguma forma. E foi assim que me formei, tudo que fiz e conquistei até agora foi para retribuir e dar a qualidade de vida que minha tia merecia, por tudo que ela fez por mim, pela minha mãe e por toda a família, sempre digo que foi ela que me salvou de mim mesmo.

Foi a força dela que me fez lutar e continuar quando eu não tinha mais. Eu tive o prazer de viver esses 31 anos perto dela, tive o prazer de ser cuidada e amada e depois de cuidar e dar amor, e eu agradeço muito a Deus por isso. Pois foi a melhor experiência que podia ter tido na minha vida, foi o amor mais puro e genuíno que vivi. Minha tia sabe, do nosso amor, Deus também sabe, hoje ela descansa nos seus abraços.

Aqui vai deixando muita saudade, muitas lembranças e muito aprendizado, no que depender de mim, todos os valores serão repassados pra futura geração.

Descansa em paz minha rainha, minha boneca. Você foi meu amor presente, obrigada por só me ensinar a ser uma pessoa melhor. Tudo que escrevi antes de tia falecer foi agradecido e conversado com ela”, finaliza.

Dona Heloísa foi para outro plano, mas deixou nos familiares e amigos a grande admiração do seu caráter, da sua humildade e da sua fraternidade. Agora resta a saudade, as lembranças e acima de tudo, a gratidão.

Da Redação

Comentários

Artigos relacionados

Fechar