DestaqueGeralNoticias

Prematura que viajou por 8 horas em incubadora improvisada no PI tem alta da maternidade

A notícia da alta médica de Elisa Vitória foi comemorado pela equipe médica, com direito a bolo. A bebê passou 56 dias internada na Maternidade Wall Ferraz, em Teresina.

A pequena Elisa Vitória, de um mês, recebeu nessa quarta-feira (8) alta da Maternidade Wall Ferraz, no bairro Dirceu, Zona Sudeste de Teresina, após 56 dias de internação. Ela nasceu em Baixa Grande do Ribeiro, a 600 km de Teresina, e chegou a capital no dia 13 de abril depois de viajar por 8 horas em uma incubadora improvisada com uma bacia de plástico.

“Você passar 56 dias no lugar, passei muitos momentos difíceis e as meninas [enfermeiras e técnicas] estavam comigo, não somente como profissionais, mas como amigas. Tempos difíceis, que a gente aprendeu a amar”, declarou Flávia Lira, mãe de Elisa.

Elisa e a mãe ainda aguardaram até a manhã desta quinta-feira (9) um transporte para retornar para Baixa Grande do Ribeiro. A notícia da alta médica da prematura foi comemorado pela equipe médica, com direito a bolo.

Elisa Vitória viajou 8 horas em uma incubadora improvisada no Piauí — Foto: Arquivo Pessoal

Elisa Vitória viajou 8 horas em uma incubadora improvisada no Piauí — Foto: Arquivo Pessoal

“Estávamos dependendo dela atingir 1.600 kg. Estava faltando apenas 15 gramas para completar o peso ideal para alta, quando a Elisa teve anemia e precisou fazer transfusão de sangue, mas ela acabou atingindo 1.785 kg e a médica liberou”, explicou Flávia.

Segundo a mãe, a Elisa não ficou com nenhuma sequela devido à prematuridade, mas precisa tomar um leite especial, que a família não tem condições de bancar. A bebê vai fazer todo o acompanhamento em Teresina e a mãe pediu ajuda para doações.

“Infelizmente eu não tenho condições para bancar o leite dela, por isso eu peço ajuda. Graças a Deus ganhamos roupinhas e outros utensílios do enxoval do pessoal da maternidade”, disse.

Incubadora improvisada

 

Bebê prematura de 1 kg viaja por oito horas em incubadora improvisada com bacia de plástico: 'verdadeiro milagre', diz mãe — Foto: Arquivo pessoal

Bebê prematura de 1 kg viaja por oito horas em incubadora improvisada com bacia de plástico: ‘verdadeiro milagre’, diz mãe — Foto: Arquivo pessoal

Para Flávia, mãe da Elisa, os desafios começaram antes mesmo de engravidar da menina. Vítima de violência doméstica do pai da criança, em junho de 2021, ela sofreu um aborto devido às agressões. Ao engravidar novamente, desde o início a gravidez foi considerada de risco.

Quando finalmente deu à luz, no dia 12 de abril, com a ajuda de seu filho de 6 anos, Flávia teve que viajar com Elisa recém-nascida para Teresina, um percurso de 600km, mais ou menos 8 horas de viagem.

Bebê prematura de 1 kg viaja por oito horas em incubadora feita com bacia de plástico

Bebê prematura de 1 kg viaja por oito horas em incubadora feita com bacia de plástico

Para que Elisa Vitória viajasse com segurança a equipe médica do Hospital Milton Reis, de Baixa Grande do Ribeiro, improvisou uma incubadora feita a partir de uma bacia de plástico. Nele foram feitos alguns furos para a saída de ar e a menina recebeu um tubo de oxigênio.

“Foi feita essa adaptação, com a retirada de um espaço para que o tubo saísse, se colocou o oxigênio aí, garantindo que ela ficasse com a respiração mantida ate chegar em Teresina“, informou o médico Rhuan Serra, que atendeu a menina.

Além disso, segundo a mãe, a recém-nascida também estava enrolada em papel alumínio e com alguns cobertores para manter a temperatura. Além dos profissionais da saúde, a tia de Flávia também acompanhou a jovem até Teresina, mas não pode permanecer como acompanhante.

“A acompanhante da Elisa, que é a paciente, sou eu, então a maternidade não autorizou a minha tia a ficar. E foi aí que eu fiquei com medo, mas eu não podia me desesperar. Agora eram apenas eu e minha filha nessa cidade, ela só tem a mim, então sou forte por ela”, disse Flávia.

No dia 19 de maio, Elisa recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva neonatal (UTIn) da maternidade. A mãe da bebê, Flávia Lira, informou que os profissionais de saúde que acompanham o estado de saúde de Elisa disseram que a alta médica da UTIn só foi possível porque o pulmão da bebê conseguiu se formar perfeitamente. Pelo estado prematuro de seis meses, nem todos os órgãos estavam completamente formados.

FONTE: G1 PI

Comentários

Artigos relacionados

Fechar