
A seca extrema no Piauí continua a avançar, impactando severamente a produção agrícola, a pecuária e o abastecimento de água. De acordo com o boletim mensal Monitor de Secas da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), 116 municípios sofreram perdas significativas em setembro devido à escassez de água e à destruição de pastagens e lavouras.
A climatologista Sara Cardoso, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Piauí (UFPI), atribui o agravamento da seca à combinação de fatores climáticos, com destaque para os efeitos do El Niño. Embora o fenômeno tenha retornado à neutralidade em 2024, as últimas estações chuvosas, desde 2022, já foram fortemente impactadas, prejudicando tanto a produção agrícola quanto o abastecimento nos grandes reservatórios.
“Essas duas últimas estações chuvosas afetaram negativamente as colheitas e os reservatórios, que não conseguiram se encher. Por isso, a seca se tornou mais intensa nesse período de estiagem”, explicou a climatologista.
Segundo Sara Cardoso, os municípios mais afetados pela seca estão localizados em uma área de transição entre a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), dois sistemas climáticos responsáveis pelas chuvas no Brasil. A interação limitada desses sistemas nessas regiões já torna o local propenso à seca.
“As variabilidades climáticas impactam diretamente as chuvas e intensificam a seca nessas áreas”, afirmou a especialista.
Além disso, a climatologista alertou que o agravamento da situação já era esperado, considerando a sequência de anos com pouca precipitação e o enfraquecimento dos sistemas que usualmente trazem umidade para o estado. “Após a seca grave do ano passado, a probabilidade de que a situação piorasse neste ano era alta, e isso se confirmou”, concluiu.
Da Redação (Com informações do Cidade Verde)







