Daqui a mais ou menos um mês, pela primeira vez na história, o Piauí terá uma mulher no comando do cargo mais alto do estado: Maria Regina Sousa, 71 anos, natural da cidade de União (cidade a menos de 50km da capital Teresina), será a primeira governadora do estado, de fato.
Vice do governador Wellington Dias, ela apenas aguarda a sua saída do mandato para ser candidato a senador, como determina a Justiça Eleitoral: para disputar o pleito, Dias precisa fazer a desincompatibilização. O que, pelo prazo, deve acontecer nos primeiros dias do mês de abril deste ano.
O OitoMeia buscou Regina para que falasse de suas expectativas para assumir o posto. E nada melhor do que a futura governadora do Piauí, prestes a se tornar a mulher mais importante do estado, falar sobre suas lutas neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher.

QUEM É REGINA SOUSA
Discreta, Regina nunca foi de holofotes. Atuou como secretária estadual de Administração ainda no primeiro mandato de Wellington Dias, tornando-se senadora, justamente após o mesmo Wellington se tornar governador (de 2015 a 2019), e elegendo-se com ele, em 2018, para o cargo de vice-governadora. Por diversas vezes, seja em viagens ou algum afastamento, foi governadora em exercício. Em suas recentes entrevistas -que são raras, já que ela admite não gostar mesmo de aparecer tanto- ela já disse que pretende assumir o mandato e implantar sim algumas de suas políticas, especialmente “para as classes mais necessitadas”.
Graduada em Letras pela Universidade Federal do Piauí, Regina Sousa trabalhou como professora e na década de 1980 foi aprovada em concurso público do Banco do Brasil. Sindicalista, presidiu o Sindicato dos Bancários do Piauí e foi uma das fundadoras da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Piauí, bem como presidiu o PT piauiense, destacando-se como uma das que mais enfrentou grupos poderosos no estado. É a quinta de catorze filhos. Durante a infância, ajudou os pais na roça. Já morou em Parnaíba, no litoral do estado, onde concluiu o ginásio e o curso pedagógico. Tornou-se professora primária e, desejando alcançar o ensino superior, mudou-se para a capital Teresina, sendo aprovada para o curso de Letras na Universidade Federal do Piauí. Enquanto cursava Letras, tornou-se professora. Aprovada, em 1983, no concurso público do Banco do Brasil, passou a fazer parte de movimentos de esquerda e fez parte da construção do PT no Piauí.

LUTA CONSTANTE DAS MULHERES
Para Regina Sousa, este 8 de Março serve como um momento para reflexão, onde as mulheres trazem as mesmas pautas, a questão da violência e da desigualdade, por exemplo, e que muitos homens -e toda a sociedade- ainda precisam entender o significado da luta das mulheres. “De novo março, de novo o Dia Internacional da Mulher e de novo as nossas pautas, as mesmas, infelizmente. O desafio da desigualdade, da descriminação, do empedramento, da misoginia e da violência. A violência talvez é a que mais nos desafia, porque a gente se sente sem poder de mudar”, afirmou ao OitoMeia.
Segundo a futura governadora, apesar das constantes lutas, o que tem-se percebido que os índices de violência têm aumentado cada vez mais, e estão alarmantes. E que isso não por falta de segurança, é por uma questão de construção social, algo que está relacionado com o patriarcalismo que há muito existe no Brasil e em tantos outros lugares do mundo. A vice-governadora finaliza sua fala dizendo que a luta só continua.”Isso não é uma questão de segurança pública, é uma questão da sociedade, de construção social, de educação, e fica mais difícil para as mulheres combaterem. Então, o primeiro combate tem que ser a denúncia. A mulher precisa ter coragem de denunciar, esse é o primeiro passo. A justiça deve julgar os casos com mais rapidez para desencorajar outros agressores… Então, mulheres, a luta só continua”, comenta.

FONTE: Oito Meia







