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Família vive com menos de R$ 30 por dia em Teresina e depende de auxílio gás para comer

Vivendo com menos de R$ 1 mil por mês para cinco pessoas, benefício de R$ 52 faz diferença para a família da dona de casa Antônia Aquino, que não tem outra renda além de auxílios e bicos que o filho faz.

Valor do botijão de gás em Teresina corresponde a mais de 30% da renda de famílias com até meio salário mínimo mensal — Foto: Divulgação/ANP

A família da dona de casa Antônia Aquino, de 58 anos, depende do auxílio gás, de R$ 52, para conseguir viver. Com uma renda de menos de R$ 30 por dia para cinco pessoas – três adultos e duas crianças – a família também depende de doações. Com o botijão custando até R$ 140 na capital, Antônia diz que não dá pra ficar sem o auxílio.

Como a família dela, outras mais de 243 mil famílias de baixa renda recebem o Auxílio Gás, benefício concedido pelo governo federal destinado à compra do botijão de 13 kg. O valor corresponde a 50% da média de preço do produto no país, que é de R$ 105. Mas em Teresina, o botijão chega a R$ 140.

Na capital, são 36.684 pessoas recebendo o Auxílio Gás. O pagamento iniciou no dia 18 de janeiro e é efetuado a cada dois meses.

A dona de casa Antônia é uma das beneficiárias. Ela mora com o filho, a nora e dois netos no Parque Universitário, Zona Leste de Teresina, e vive com apenas R$ 452, provenientes dos auxílios Brasil e Gás. A renda da família é complementada com mais R$ 400 que a nora também recebe de auxílio.

Antônia Alves de Aquino é uma das beneficiárias do Auxílio-Gás em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Antônia Alves de Aquino é uma das beneficiárias do Auxílio-Gás em Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Na manhã desta quarta-feira (16), Antônia esteve no Centro de Referências de Assistência Social (Cras), no bairro Redenção, Zona Sul de Teresina, para renovar o cadastro do CadÚnico, requisito para entrar em programas sociais do Governo Federal.

Ao g1, a dona de casa relatou que compra um botijão de gás a cada dois meses, em média. O valor do produto corresponde a quase 31% de todo o salário.

“Apesar de pouco [o auxílio], ajuda, porque é melhor que nada. Eu pago R$ 140 no botijão hoje, pago porque tem que cozinhar, fazer a comida das crianças. A gente faz um esforço, tira um pouco de um lado, coloca no outro”, disse.

Centro de Referências de Assistência Social (Cras), no bairro Redenção, Zona Sul de Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Centro de Referências de Assistência Social (Cras), no bairro Redenção, Zona Sul de Teresina — Foto: Ilanna Serena/g1

Natural do estado do Ceará, a mulher chegou ao Piauí ainda adolescente. Por anos, trabalhou como diarista no bairro Tancredo Neves. Hoje, ela tenta dar entrada na aposentadoria.

“Depois que fiquei viúva, comecei a bater nas portas e pedir. Vergonha não é pedir, é roubar. Ganhei muito alimento e roupa, pedindo. O dinheiro é pouco, não tenho condição de comprar roupa, é luxo. Ganhei vários vestidinhos, panelas”, comentou.

Alta do gás

Na última sexta-feira (11), o preço médio do gás de cozinha foi reajustado em 16,1% e é um dos itens que mais tem pesado na inflação. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Gás (Sindigás), após os seguidos aumentos, a procura pelo produto caiu 30% nos últimos 5 meses.

O produto não era reajustado há 152 dias e custa atualmente no país R$ 102,64 o botijão de 13 kg, em média, segundo pesquisa da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Quem tem direito ao Auxílio Gás:

  • Famílias inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico), com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional (R$ 550);
  • Famílias que tenham entre seus membros residentes no mesmo domicílio quem receba o benefício de prestação continuada da assistência social, o BPC, que prevê um salário mínimo mensal à pessoa com deficiência e ao idoso com 65 anos ou mais que comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção nem a família.

Terão prioridade no pagamento as famílias com mulheres vítimas de violência doméstica que estejam sob o monitoramento de medidas protetivas de urgência e que se encaixem nos demais critérios para receber o benefício.

É possível consultar a disponibilidade do benefício pelos aplicativos do Auxílio Brasil, Caixa Tem ou por meio do telefone 111.

FONTE: G1 PI

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