
O Ministério da Saúde recebeu nesta quinta-feira (9) um lote de 2,5 mil unidades do antídoto fomepizol, que será utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, frequentemente associadas ao consumo de bebidas adulteradas. Deste total, 24 doses serão enviadas ao Piauí nesta sexta-feira (10), reforçando o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.
A distribuição do medicamento começou de imediato, com prioridade para São Paulo, que apresenta o maior número de casos confirmados. Outros estados com registros suspeitos, como Pernambuco, Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, também serão contemplados. A distribuição segue critérios baseados na população e na necessidade de cada região, com o objetivo de garantir uma oferta equânime do antídoto em todo o país.
A aquisição do fomepizol é inédita no Brasil, tendo sido realizada em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), apenas oito dias após o Ministério da Saúde acionar o Fundo Estratégico da organização. O medicamento é considerado raro devido à sua baixa produção mundial e oferece alta eficácia e segurança no tratamento. Ele impede que o metanol se transforme em ácido fórmico, evitando a acidose metabólica, uma complicação grave e potencialmente fatal.
Mariângela Simão, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, explicou: “Já temos o etanol farmacêutico disponível em todas as unidades da federação. O que estamos oferecendo agora é uma segunda opção, o fomepizol, adquirido via OPAS com apoio da Anvisa.”
O etanol farmacêutico, outra alternativa ao tratamento, pode ser administrado assim que houver suspeita de intoxicação, sem a necessidade de confirmação laboratorial, mas sempre sob prescrição médica. Além disso, o Ministério da Saúde recebeu uma doação de 12 mil ampolas da empresa Cristália Produtos Químicos e Farmacêuticos, que se somam às 4,3 mil já entregues ao SUS por hospitais universitários.
Situação no Piauí
No Piauí, o primeiro caso suspeito de intoxicação por metanol foi registrado em Parnaíba, no litoral do estado. Um homem de 28 anos foi internado no Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA) após apresentar dores abdominais, visão turva e vômitos, sintomas típicos da intoxicação. Ele relatou ter ingerido gin antes do início dos sintomas e recebeu alta médica no sábado (4).
Em Teresina, um homem de 51 anos também foi internado em um hospital particular com sintomas semelhantes. De acordo com a Fundação Municipal de Saúde (FMS), ele teria consumido um destilado recém-adquirido e, no dia seguinte, começou a manifestar sinais de intoxicação. O paciente passou por sessões de hemodiálise e apresentou boa resposta ao tratamento. Os exames realizados pelo Instituto Médico Legal (IML) descartaram a presença de metanol em ambos os casos.
Casos em Investigação
Outros dois casos estão sendo investigados pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi). O primeiro envolve um garçom de 21 anos, de Parnaíba, que relatou ter comprado a bebida em um supermercado local. Ele foi atendido no HEDA e recebeu alta no domingo (5). O segundo caso é de um homem com mais de 40 anos que procurou atendimento médico com sintomas de intoxicação após ingestão de bebida alcoólica. Ele foi observado e liberado na madrugada de terça-feira (7).
A Sesapi informou que as amostras coletadas nesses casos serão enviadas ao Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí (Lacen-PI) para análise confirmatória.
Da Redação (Com informações do Cidade Verde)







