
Cerca de 8 mil produtores de mel da agricultura familiar no Piauí devem ser diretamente impactados pela nova tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, que entra em vigor no dia 1º de agosto, já começa a provocar prejuízos ao setor, segundo estimativa da Secretaria da Agricultura Familiar do Estado (SAF).
Atualmente, o estado conta com aproximadamente 12 mil apicultores da agricultura familiar, dos quais dois terços têm suas exportações destinadas ao mercado norte-americano, por meio de cooperativas ou empresas privadas.
De acordo com a secretária Rejane Tavares, da SAF, a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis) ainda conseguiu embarcar, no último domingo (13), dois contêineres com mel antes da tarifa entrar em vigor. No entanto, novas remessas previstas devem sentir fortemente o impacto da medida.
“Temos novas cargas programadas e, com essa taxação, toda a cadeia produtiva será afetada. Dos 12 mil produtores, cerca de 8 mil exportam diretamente para os EUA. Esses serão os mais atingidos”, afirmou Rejane.
A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) estima que o impacto econômico da nova tarifa pode ultrapassar US$ 42 milhões por ano, o que representa cerca de R$ 233 milhões, com base na cotação atual do dólar.
Estado busca novos mercados, como o Japão
Como resposta à nova política tarifária americana, o governo do Piauí já articula alternativas para mitigar os prejuízos. Uma das ações de destaque foi a primeira exportação de mel da agricultura familiar piauiense para o Japão, realizada pela Cooperativa Mista dos Apicultores da Microrregião de Simplício Mendes (Comapi).
“Essa exportação para o Japão já é uma estratégia consolidada. Com o apoio da Invest Piauí e consultorias especializadas, estamos buscando inserir nossos produtos em mercados exigentes e dinâmicos. A Comapi já embarcou dois tonéis de 300 kg cada para o Japão”, explicou Rejane.
A cooperativa já possui histórico de exportação para os EUA e a Europa. A abertura do mercado japonês representa um avanço estratégico, especialmente diante das restrições impostas pelo governo americano.
“O mercado oriental é altamente criterioso, mas o mel da Comapi foi muito bem recebido. Isso mostra a força da nossa agricultura familiar e a capacidade de adaptação diante de crises externas”, destacou.

Governo estadual critica medida dos EUA
O governador Rafael Fonteles (PT), presidente do Consórcio Nordeste, também comentou a decisão norte-americana e seus reflexos na economia regional. Segundo ele, além do mel, produtos como carne, café e laranja também devem ser afetados.
“Precisamos confiar na condução do presidente Lula. Ele já lamentou a medida unilateral do presidente americano e está empenhado em esgotar o diálogo para tentar reverter essa decisão. Ela vai na contramão da integração global. É ruim para todos: para o Brasil, para o Nordeste e também para os próprios americanos”, afirmou Fonteles.
Piauí lidera exportação nacional de mel
O Piauí é hoje o maior exportador de mel do Brasil, com mais de 93% da produção oriunda da agricultura familiar. O estado registrou crescimento de 432% em uma década, saltando de 1.563 toneladas em 2012 para 8.321 toneladas em 2022. No ano passado, o Piauí exportou US$ 31,2 milhões em mel, o que representou 36% do total nacional.
A nova taxação americana, porém, coloca esse avanço em risco e reforça a necessidade de diversificação de mercados para garantir a sustentabilidade da cadeia produtiva do mel no estado.
Da Redação (Com informações do Cidade Verde)







