
A violência policial no Piauí continua a ter um forte viés racial, com negros sendo os mais afetados pelas ações da polícia, revela o relatório Pele Alvo: Crônicas de Dor e Luta, divulgado hoje (6) pela Rede de Observatórios da Segurança. Segundo a pesquisa, 87% das vítimas de mortes decorrentes de intervenção policial no estado em 2024 eram negras, sendo que 80% dessas mortes foram causadas pela Polícia Militar.
Apesar de uma redução geral nas mortes por intervenção policial no Piauí, a pesquisa aponta que a desigualdade racial se mantém como um problema estrutural na segurança pública. No total, 24 pessoas foram mortas no estado no ano passado, e 44% dessas vítimas estavam na faixa etária de 18 a 29 anos. Além disso, 32% dos homicídios ocorreram em Teresina, a capital do estado.
No Brasil, 4.068 mortes foram registradas em decorrência de intervenção policial no ano de 2024, e, de acordo com a pesquisa, jovens negros, especialmente aqueles com menor nível de escolaridade e condições precárias de vida, continuam a ser os principais alvos de violência policial.
O relatório enfatiza que, embora a letalidade policial tenha diminuído, o problema da violência racializada se mantém, com os negros tendo muito mais chances de ser mortos pela polícia. “A redução no número de mortos não significa que a violência racializada diminuiu. Ela se recompõe e mantém os jovens negros como o principal alvo da força policial”, afirma a Rede de Observatórios.
Principais conclusões da pesquisa:
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Jovens de 18 a 29 anos representam 57,1% das vítimas de violência policial.
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Negros têm 4,2 vezes mais chances de serem mortos pela polícia do que brancos.
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Crianças e adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos, foram responsáveis por 297 das vítimas, um aumento de 22,1% em relação ao ano anterior.
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Em Teresina, 32% das vítimas de mortes por intervenção policial eram moradores da cidade.
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80% das mortes no Piauí foram causadas pela Polícia Militar, e todas as vítimas eram homens.
O que o relatório recomenda:
O relatório propõe diversas ações para combater a violência policial racializada, entre elas:
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Uso obrigatório de câmeras corporais em todas as operações policiais.
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Transparência nos dados de vítimas, eliminando a rubrica “não informado” para a raça/cor.
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Reformulação da formação policial, com foco na redução da violência e no respeito aos direitos humanos.
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Desenvolvimento de planos estaduais e municipais com metas claras para a redução da letalidade policial e responsabilização dos envolvidos.
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Apoio às famílias de vítimas de abuso policial, garantindo sua participação nos processos de apuração.
A Rede de Observatórios finaliza o relatório com um apelo para que governadores e o Governo Federal adotem um pacto pela vida, com medidas concretas para a redução da violência racializada e um compromisso real de responsabilização das autoridades.
“Não há mais espaço para negar a dimensão racial da violência de Estado”, afirmam os pesquisadores. O chamado é para uma segurança pública mais justa e inclusiva, que proteja a todos, sem discriminação racial.
Da Redação (Com informações do CidadeVerde)







