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Piauí ocupa 5ª posição nacional em taxa de hanseníase e enfrenta cenário hiperendêmico

Estado registra índice acima da média brasileira e especialistas alertam para diagnóstico tardio e necessidade de fortalecimento da prevenção

Piauí tem quinta maior taxa de hanseníase do país, aponta boletim — Foto: Reprodução

O Piauí está entre os estados com maior taxa de detecção de hanseníase no Brasil e ocupa a quinta colocação no ranking nacional, segundo dados do Boletim Epidemiológico de Hanseníase 2025. O cenário é classificado como hiperendêmico e representa um desafio significativo para o controle da doença no estado.

Em 2023, o Piauí registrou uma taxa de 18,34 casos novos por 100 mil habitantes, número superior à média nacional, que foi de 12,1 casos por 100 mil habitantes. O estado aparece atrás apenas de Mato Grosso, Tocantins, Maranhão e Rondônia, que lideram o ranking com os maiores índices de detecção da doença no país.

Mato Grosso ocupa a primeira posição, com 129,65 casos por 100 mil habitantes, seguido por Tocantins (63,15), Maranhão (33,23) e Rondônia (24,46). Em contraste, os menores índices foram registrados na região Sul, com Santa Catarina (0,62), Rio Grande do Sul (1,95) e São Paulo (2,74).

De acordo com especialistas, o diagnóstico tardio é um dos principais fatores que contribuem para a manutenção dos altos índices. Muitos pacientes só descobrem a doença em fases avançadas, quando já apresentam sequelas físicas, especialmente relacionadas ao comprometimento dos nervos.

Em Teresina, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) é referência no atendimento de casos suspeitos e confirmados de hanseníase, principalmente os de maior complexidade. Somente em 2025, a unidade registrou 171 consultas dermatológicas e 225 atendimentos relacionados ao acompanhamento de pacientes com a doença.

O hospital recebe pacientes encaminhados pela atenção básica e por outros serviços de saúde, incluindo casos com reações hansênicas, inflamações dos nervos e outras complicações. Além do tratamento medicamentoso, o cuidado envolve ações para prevenir incapacidades físicas, como fisioterapia e terapia ocupacional, além de apoio psicológico e orientação social.

A hanseníase é uma doença infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos. Os sintomas mais comuns incluem manchas claras ou avermelhadas com perda ou diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor e ao toque. Em casos mais graves, podem ocorrer limitações físicas permanentes.

A transmissão acontece pelas vias respiratórias e exige contato próximo, frequente e prolongado com pessoas que ainda não iniciaram o tratamento. Familiares que convivem na mesma residência têm maior risco de adoecer, enquanto contatos ocasionais geralmente não são suficientes para a transmissão.

Profissionais de saúde alertam ainda para a importância da adesão correta ao tratamento, já que a interrupção pode causar resistência da bactéria, tornando o processo terapêutico mais longo e complexo. O monitoramento contínuo e o fortalecimento das ações de prevenção e diagnóstico precoce são apontados como essenciais para reduzir os índices da doença no estado.

Da Redação (Com informações do G1 PI)

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