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Catadores encaram risco de acidentes e doenças no lixão de Jaicós

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Catadores sem luvas nem equipamentos de segurança trabalham diariamente no lixão de Jaicós em meio a todo tipo de lixo, animais e insetos, o que faz com que estejam vulneráveis à doenças. No local de descarte de resíduos, cerca de quinze pessoas trabalham como catadores, dividindo espaço com lixo, urubus, bois, porcos e outros animais transmissores de doenças (ratos, baratas, moscas), além de  riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.

qweDSC_0214“Eu trabalho aqui no lixão porque preciso sobreviver, não tenho cartão cidadão, nem nunca conseguir me aposentar”, diz a idosa Maria do Amparo, de 63 anos de idade e que atua como catadora no local há vários anos sem luvas e material de proteção.

Essas pessoas [catadores] estão sujeitas a muitos riscos, pois trabalham em lugares e sob condições inadequadas, insalubres e perigosas. As condições de trabalho e exploração também são caracterizadas pelo convívio com materiais que podem provocar acidentes como cacos de vidro, pregos e outros materiais cortantes e enferrujados.

Para o Senhor Francisco da Silva Veloso, 43 anos, que há cinco trabalha no lixão, a renda que obtém catando lixo é o meio que tem para sustentar a esposa e seus três filhos. Esse trabalhador foi o único detectado pela reportagem utilizando botas, mas sem nenhuma proteção nas mãos.

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No local, mais uma idosa atua diariamente ao lado de um neto. Dona Luciana Joana da Conceição, 70 anos, é aposentada, mas informou que pelo fato dos filhos não ter trabalho, ela se junta ao neto para auxiliar no trabalho de catadora e com isso ajudar a sustentar os seus quinze netos.

Um fator agravante dessa situação, é que com o  período chuvoso, o lixo poderá acumular água e com isso aumentar focos de dengue e de outras doenças. No local, encontra-se facilmente muita água parada, em recipientes que foram descartados, o que é significa um grande risco de criação e proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, a Chikungunya e a Zika.

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Outro dos graves problemas a que estão expostos esses catadores é o chorume, gerado quando a água (da chuva, principalmente) passa através do lixo. O chorume é uma substância líquida resultante do processo de decomposição de matérias orgânicas em lixões e aterros sanitários. É viscoso e possui um cheiro muito forte e desagradável, além de ser altamente poluente.  E é no período das chuvas, que o volume do chorume e seu poder de infiltração no solo aumentam, tornando-o ainda mais contaminante.

A presença de animais no lixão também preocupa e deixa os moradores em alerta, pois a vigilância sanitária do município já recebeu várias denúncias de que esses animais estariam sendo abatidos e comercializados para consumo na cidade.

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Quanto a questão dos equipamentos de segurança como as luvas e botas, os catadores afirmaram que nunca receberam a visita de nenhum funcionário da Secretaria Municipal de Assistência Social, nem para uma orientação sobre os cuidados que deveria ter, muito menos para fazer a doação desses materiais.

POR: Otávio Veloso

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