Catadores sem luvas nem equipamentos de segurança trabalham diariamente no lixão de Jaicós em meio a todo tipo de lixo, animais e insetos, o que faz com que estejam vulneráveis à doenças. No local de descarte de resíduos, cerca de quinze pessoas trabalham como catadores, dividindo espaço com lixo, urubus, bois, porcos e outros animais transmissores de doenças (ratos, baratas, moscas), além de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.

Essas pessoas [catadores] estão sujeitas a muitos riscos, pois trabalham em lugares e sob condições inadequadas, insalubres e perigosas. As condições de trabalho e exploração também são caracterizadas pelo convívio com materiais que podem provocar acidentes como cacos de vidro, pregos e outros materiais cortantes e enferrujados.
Para o Senhor Francisco da Silva Veloso, 43 anos, que há cinco trabalha no lixão, a renda que obtém catando lixo é o meio que tem para sustentar a esposa e seus três filhos. Esse trabalhador foi o único detectado pela reportagem utilizando botas, mas sem nenhuma proteção nas mãos.
No local, mais uma idosa atua diariamente ao lado de um neto. Dona Luciana Joana da Conceição, 70 anos, é aposentada, mas informou que pelo fato dos filhos não ter trabalho, ela se junta ao neto para auxiliar no trabalho de catadora e com isso ajudar a sustentar os seus quinze netos.
Um fator agravante dessa situação, é que com o período chuvoso, o lixo poderá acumular água e com isso aumentar focos de dengue e de outras doenças. No local, encontra-se facilmente muita água parada, em recipientes que foram descartados, o que é significa um grande risco de criação e proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da Dengue, a Chikungunya e a Zika.
Outro dos graves problemas a que estão expostos esses catadores é o chorume, gerado quando a água (da chuva, principalmente) passa através do lixo. O chorume é uma substância líquida resultante do processo de decomposição de matérias orgânicas em lixões e aterros sanitários. É viscoso e possui um cheiro muito forte e desagradável, além de ser altamente poluente. E é no período das chuvas, que o volume do chorume e seu poder de infiltração no solo aumentam, tornando-o ainda mais contaminante.
A presença de animais no lixão também preocupa e deixa os moradores em alerta, pois a vigilância sanitária do município já recebeu várias denúncias de que esses animais estariam sendo abatidos e comercializados para consumo na cidade.
Quanto a questão dos equipamentos de segurança como as luvas e botas, os catadores afirmaram que nunca receberam a visita de nenhum funcionário da Secretaria Municipal de Assistência Social, nem para uma orientação sobre os cuidados que deveria ter, muito menos para fazer a doação desses materiais.
POR: Otávio Veloso
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