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De faxineira a empresária: a história de luta da jaicoense Ciana Oliveira

Uma história de encher os olhos d’água e o coração de motivação. Essa é a história de como Maria de Oliveira, conhecida como Ciana, foi de faxineira a dona da premiada Império do Lanche, referência no ramo de bolos e salgados no município de Jaicós.

Hoje temos mais uma história de sucesso e superação para contar. Uma história de encher os olhos d’água e o coração de motivação. Essa é a história de como Maria de Oliveira, conhecida como Ciana, foi de faxineira a dona da premiada Império do Lanche, referência no ramo de bolos e salgados no município de Jaicós.

Maria de Oliveira Veloso Lima, conhecida como Ciana, é de uma família humilde jaicoense. Seu pai é do povoado da Maria Preta e a mãe do Bom Sucesso, em Jaicós. Passou a sua infância morando na zona rural.

“Eu venci através do sofrimento, e por mim mesmo. Eu falei um dia para mim: ‘Eu vou ter que vencer, acima de qualquer coisa, menos passando por cima de ninguém”, relata.

Mais velha de oito irmãos, ela cuidava dos mais novos. Desde muito cedo tentava ajudar na renda da família, vendendo produtos como carvão e cheiro verde. Trabalhou com tudo um pouco e chegou a fazer tijolos na olaria de onde moravam. Ajudava inclusive na colheita da roça.

Maria Oliveira sempre tinha aquela vontade de fazer as comidas que via nas revistas e jornais. Até mesmo recortava as páginas, na esperança de um dia ter dinheiro para comprar material para fazer.

Sofreu muito com o pai alcoólatra e já teve até sua casa queimada, em um acidente com o pai alcoolizado, era muito agressivo e muitas vezes ele não lembrava do que fazia quando estava sob efeito do álcool.

Então, aos 16 anos ela conheceu o esposo e casou-se. Algum tempo depois, engravidou e se tornou sacoleira para ajudar nas despesas da filha.

A sogra de Maria de Oliveira trabalhava no CCI e fazia faxinas. Foi aí que ela começou a acompanhar a sogra e então começaram a fazer encomendas de bolos para festas da prefeitura e também faziam bolos para as famílias das casas em que elas trabalhavam.

Nessa época, ela morava de aluguel em um quartinho, até que o dono pediu de volta. Foi aí que eles conseguiram construir uma casa pequena, e, mesmo sem piso, com apenas dois quartos cobertos e sem reboco, passaram a viver ali. Foi nesta casa que ela criou 2 filhas. Trabalhava como faxineira com a sogra, fazendo roscas e bolos, e também na roça, colhendo caju e feijão.

No aniversário das filhas, ela juntava os dois aniversários em um só dia e fazia bolo para elas com a ajuda da sogra na confecção deles. Foi aí que os parentes e amigos começaram a ver a qualidade dos bolos e passaram a fazer encomendas. Com o dinheiro ela conseguiu arrumar a casa e comprar materiais escolares para as filhas.

Ela conta que muitas vezes chorou abraçada a suas filhas. Ela conta que sempre disse a sua mãe que um dia venceria. Sempre tinha em mente que daria o melhor para suas filhas, através do trabalho.

Maria conta que é muito agradecida a pessoas que a ajudaram nos momentos difíceis. relembrou que no Natal recebia presentes de um grupo que a visitava, lembra que Otávio Veloso e Elisângela faziam parte. “Nunca fui de receber nada de ninguém”, conta.

Em 2000, Maria teve a sua terceira filha, que nasceu prematura. Com muito sofrimento, conseguiu salvar a vida da criança. Ela tem necessidades especiais e necessita de muita atenção.

O esposo de Maria, Abel Antônio, trabalhava descarregando carros da feira livre. Na época, ela conheceu alguns cursos de salgados para festas, que vinha para famílias carentes, através da Prefeitura Municipal. Foi aí que conseguiu uma vaga, com ajuda de Maria de Luiz Mário, uma pessoa que a incentivou muito.

“O curso foi ministrado por Katiucia Dantas. Ela podemos dizer que foi Deus que enviou na nossa vida. Minha mãe já tinha algumas habilidades, pois já fazia salgados básicos pra gente, porque não tínhamos dinheiro para comprar. E como toda criança, sonhava comer uma coxinha. Sempre queríamos a coxinha de seu Claudino. E ela não tinha dinheiro, então ela fazia em casa pra gente comer. No curso, ela se desenvolveu muito e, no fim, Katiucia a presenteou com os utensílios para que ela começasse a fazer e vender salgados”, conta a filha, Tailanny Oliveira.

Todas as feiras de Jaicós, mãe e filha levavam salgados e suco para vender. As filhas menores ficavam com a tia, que passou a morar com a família para ajudar.

Tudo começou a dar certo na feira, os feirantes das bancas gostaram muito do salgado e toda segunda elas conseguiam o dinheiro de fazer a feira da semana, pois o que seu Abel ganhava só dava para custear remédios da filha mais nova e para pagar as contas de água e luz.

O sucesso na feira livre foi tanto, que uma das donas de banca cedeu um espaço para que elas colocassem uma mesa para vender os salgados. O trabalho era árduo, pois todas as segundas começavam muito cedo. Mãe e filha iam às 4 horas da manhã fritar salgado e levavam para vender no café da manhã. Passaram 15 anos vendendo na feira.

“Minha maior motivação foi a mim. E tinha que ser eu. Porque eu via minha mãe com tanto sofrimento. Meu pai alcoólatra e eu sempre fui o pulso firme da casa. Eu vi todo aquele sofrimento da minha mãe, ela chorando pelos cantos, muito amarga. E ali não tinha ninguém para poder ajudar, tirar ela daquele sofrimento, e aí eu disse que não queria aquilo para mim”, afirma Maria.

Depois disso, conseguiram um espaço maior, pois já tinham feito muitos clientes na feira e com as festas, na confecção de bolos de aniversário e salgados.

“Olha, é tanta coisa que ela passou. Hoje ela é meu maior exemplo. Minha mulher maravilha

Não é porque seja minha mãe, mas é a pessoa mais vitoriosa que conheço”, afirma Tailanny.

Maria de Oliveira começou a se sentir mal, muito cansada. As filhas estavam estudando fora e não dava para ela continuar sozinha, foi aí que resolveram criar a Império, hoje considerada uma das melhores lanchonetes da cidade, com 8 títulos de reconhecimento. Ela já realizou cursos em Jaicós e Paulistana, formando turmas na área, estando com mais três turmas abertas.

“Eu tenho a dizer aos jovens que não desistam. E outra, não fiquem começando uma coisa, aí acha que não vai dar certo, desiste daquela e procura fazer uma diferente. Não! Foque no que você achar que vai à frente. Nunca baixe a cabeça. A gente tem perrengue. Principalmente quando às vezes você tem muita desmotivação. Eu tive muito. Tudo que eu ia fazer tinha uma pessoa dizendo ‘isso não vai dar certo’, isso é errado’, ‘é muito complicado’, ‘vai dar muito trabalho’. Tudo que a gente consegue na vida é com muito trabalho. É levantar a cabeça. Tem dia que você tá triste, mas coloca a cara a tapa na rua. E tem que sair com um sorriso. É isso, a gente sempre tem que estar ali, de pulso firme”, afirma Maria de Oliveira.

“Tem que trabalhar e focar com muita honestidade, que honestidade é a prioridade, trabalhar com muita fé e força de vontade que vem, pode ter certeza”, conclui.

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