Os números da fome no Brasil estão cada vez maiores. Segundo dados do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, realizado pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN), o Brasil soma atualmente cerca de 33,1 milhões de pessoas sem ter o que comer diariamente, quase o dobro do contingente em situação de fome estimado em 2020.
São quase 14 milhões de pessoas a mais passando fome no país desde o início da pandemia. A medida dos anos, os números ficam cada vez maiores. Em 2018, a quantidade de pessoas nessa situação de vulnerabilidade somava 10,3 milhões, já em 2020 os dados estimavam que 19 milhões não tinham nada para comer, cerca de 9 milhões a mais que em 2018.

A crise provocada pela pandemia do coronavírus está diretamente relacionada ao avanço, ainda maior, da fome nos últimos dois anos.
“A pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e da miséria, e traz ainda mais desamparo e sofrimento. Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia só poderiam levar ao aumento ainda mais escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país”, apontou Ana Maria Segall, médica epidemiologista e pesquisadora da Rede PENSSAN.
Ao contrário do que é esperado, segundo a rede PENSSAN, ao divulgar o resultado de seu segundo inquérito, o país regrediu três décadas. O levantamento anterior havia apontado que o cenário da fome no país remontava ao que era observado em 2004.
“O país regrediu para um patamar equivalente ao da década de 1990”, destacou a rede PENSSAN. A continuidade do desmonte de políticas públicas, a piora no cenário econômico, o acirramento das desigualdades sociais e o segundo ano da pandemia da Covid-19 tornaram o quadro desta segunda pesquisa ainda mais perverso”, enfatizou a entidade.
FONTE: Oito Meia








