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Feminicídios avançam em cidades sem estrutura de proteção às mulheres no Piauí

Levantamento aponta que 66,6% dos municípios com casos registrados no início de 2026 não possuem organismos voltados a políticas de gênero

Foto: Cidadeverde.com

Uma estatística preocupante revela a relação direta entre a violência de gênero e a ausência de políticas públicas nos municípios piauienses. De acordo com dados do Observatório da Mulher Piauiense, 66,6% das cidades que registraram feminicídios nos meses de janeiro e fevereiro de 2026 não possuem Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs), como secretarias ou coordenadorias específicas.

O dado indica que a maioria dos casos de feminicídio ocorre justamente onde não há estrutura institucional voltada à prevenção e ao enfrentamento da violência doméstica. Apenas 33% dos municípios com registros contavam com algum tipo de órgão de apoio às mulheres.

Atualmente, dos 224 municípios do Piauí, 81 já criaram Secretarias Municipais das Mulheres. A implantação desses órgãos depende da iniciativa das prefeituras, que, em muitos casos, alegam limitações orçamentárias para a criação e manutenção das estruturas.

A secretária estadual das Mulheres, Zenaide Lustosa, destaca que a falta de investimento municipal tem impacto direto no aumento da violência. Segundo ela, além da criação das secretarias, é fundamental garantir recursos para o funcionamento efetivo das políticas públicas.

“O desafio não é apenas instituir os organismos, mas assegurar orçamento e condições para que eles atuem. Queremos alcançar pelo menos 100 municípios com estruturas de gênero até o fim do ano”, afirmou.

A gestora também ressaltou que o estado, em parceria com o Governo Federal, tem oferecido apoio técnico e estrutural aos municípios que implantam os OPMs, incluindo capacitação, equipamentos e participação em editais para aquisição de veículos.

Crescimento dos casos e aumento das denúncias

Nos dois primeiros meses de 2026, oito mulheres foram vítimas de feminicídio no Piauí. O perfil das vítimas segue o padrão observado em anos anteriores: maioria de mulheres pardas, com idades entre 20 e 39 anos.

No mesmo período, foram registrados 1.766 boletins de ocorrência nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs), um aumento de 12% em relação a 2025. Já as medidas protetivas de urgência somaram 1.606 concessões, crescimento de 16%.

A coordenadora do Observatório da Mulher Piauiense, Maria Clara Silveira, avalia que o aumento nos registros pode indicar maior procura das vítimas pelos canais institucionais.

As cidades com maior concentração de medidas protetivas foram Teresina (61%), Picos (8%), Parnaíba (6%) e Piripiri (4,6%).

Além disso, o canal Ligue 180 registrou 985 atendimentos no período, um aumento expressivo de 139% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Na rede de acolhimento, a Casa da Mulher Brasileira de Teresina realizou 824 atendimentos iniciais e 4.339 atendimentos totais, representando crescimentos de 94% e 47%, respectivamente.

Ampliação da rede é essencial

Especialistas apontam que os números reforçam a necessidade de fortalecer e expandir a rede de proteção às mulheres, especialmente nos municípios que ainda não contam com políticas estruturadas.

Entre as ações recomendadas estão a criação de campanhas educativas, ampliação da presença feminina em espaços de decisão, acolhimento adequado às vítimas, combate ao assédio moral e sexual e implantação de espaços de apoio às mulheres.

Para o Observatório, a institucionalização dos Organismos de Políticas para Mulheres é fundamental para articular ações, monitorar indicadores e garantir respostas mais eficazes no enfrentamento à violência de gênero no estado.

Da Redação (Com informações do Cidade Verde)

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