Um julgamento realizado nesta terça-feira, 6, que durou cerca de 40 minutos, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Goiás arquivou as denúncias contra o padre Robson de Oliveira Pereira, que era acusado por lavagem de dinheiro, apropriação indébita, organização criminosa, falsificação de documentos e sonegação fiscal. Segundo a denúncia do Ministério Público de Goiás, o religioso, que era presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), responsável pelo Santuário Basílica de Trindade, teria desviado cerca de R$120 milhões de doações de fiéis.
Essa era a tese da defesa, afirmou o advogado Pedro Paulo de Medeiros. “A Afipe é uma instituição privada, que não recebe recurso público, e, portanto, sua gestão é feita exclusivamente pela sua diretoria.” Segundo o advogado, a decisão atesta também que não houve valor retirado da Afipe. Sobre o valor pago pelo padre Robson a pessoas que o estariam chantageando, Medeiros diz que o recurso, cerca de R$ 2 milhões, estão depositados em um conta judicial e que deve retornar aos cofres da Afipe quando este processo for concluído. “Mas se a Afipe decidisse pagar a chantagem, essa seria uma decisão da instituição e não caberia questionamento jurídico sobre ela”, completa.
O Ministério Público de Goiás, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que aguarda ser notificado para tomar as medidas cabíveis. Em nota, a Afipe diz que “continuará o trabalho de auditoria, reforma administrativa, implantação de governança e demais ações que estão em andamento na associação”.
Operação Vendilhões
As investigações do Ministério Público de Goiás acerca do envolvimento do padre Robson de Oliveira Pereira no desvio de R$120 milhões culminaram com a Operação Vendilhões, realizada em 21 de setembro. No dia seguinte, o religioso se afastou da presidência da Associação Pai Eterno e Perpétuo Socorro (Afipe), ligada à Basílica do Divino pai Eterno, de Trindade.
O valor teria sido usado, segundo o MP, para aquisição de imóveis, entre os quais uma fazenda de R$ 6 milhões na cidade goiana de Abadiânia, e de uma casa de praia, no valor de R$ 3 milhões, em Guarajuba (BA).
A investigação teve início em 2018, quando padre Robson foi vítima de extorsão e teria pago cerca de R$ 2 milhões para não ter vídeos expostos na internet.
Leia a íntegra da nota da Afipe:
“A Justiça atendeu ao pedido de habeas corpus dos advogados do padre Robson na tarde desta terça-feira, 6 de outubro. A Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), continuará o trabalho de auditoria, reforma administrativa, implantação de governança e demais ações que estão em andamento na associação. Tais medidas são fundamentais para o renascer da Nova Afipe e para que a entidade possa continuar cumprindo com sua principal missão que é evangelizar e manter suas ações sociais, a obra da nova Basílica em Trindade e a TV Pai Eterno. Sendo, o mais importante, a confiança do devoto do Pai Eterno nas ações da entidade e na transparência que a atual gestão defende e trabalha.”
FONTE: Estadão Conteúdo








