Ex-marido e ex-mulher precisam dividir o mesmo palco e fazem um belo e emocionante show, ovacionado pelo público e crítica. Obviamente não estamos falando da Banda Calypso.
O ex-casal civilizado também precisou de longos 20 anos para curar as feridas do fim de uma relação. Há duas semanas Baby do Brasil e Pepeu Gomes fizeram um show clássico no Rock In Rio retomando a parceria musical depois de 20 anos da separação dos Novos Baianos e do fim do casamento.
Se Baby e Pepeu não tivessem tido a distância física e temporal necessária para sarar o que se foi, não poderiam produzir um dos show mais elogiados do grande festival musical brasileiro. Joelma e Chimbinha, vivem o oposto disso: o melancólico fim de um casamento tendo como plateia milhões de pessoas. Um verdadeiro reality show de um amor – e uma banda – que não existe mais.
Para a cantora e o guitarrista, ao mesmo tempo criadores e estrelas da Banda Calypso – principal expoente do ritmo brega no Brasil – as dores de uma traição, assumida pelo marido, a impossibilidade de perdoar, tomada pela esposa, ganham contornos cada vez mais constragendores por conta dos contratos firmados pela banda e que devem ser cumpridos até o final do ano.
Em Teresina, no último final de semana, Chimbinha chegou a ser agredido pelos fãs que lhe atiraram garrafas e xingamentos. Joelma se negou a subir no palco por longos minutos em que cantou no camarim e, quando apareceu, não dançou e cantou monocórdica enquanto o ex-marido continuava a uma distância significativa dela. A partir daí, algo mudou: existe uma diferença, às vezes sutil, entre ser vítima e se vitimizar.
Nós, que fazemos nosso trabalho estando felizes ou tristes, com relacionamento em crise, um dia depois de descobrir uma traição, uma semana após perder um amor, passamos a exigir de Joelma o mesmo: “Mulher, faça seu trabalho. Cante e dance”. Ah se o mundo fosse tão preto e branco assim… mas tudo é colorido tal qual as roupas de Joelma.
De repente, o apoio que os fãs deram à Joelma depois da repercussão da traição de Chimbinha, se voltaram contra ela. Semelhante ao enredo de uma novela mexicana passada às tardes no SBT, Chimbinha, o rejeitado, tornou-se a vítima.
Agora o público pede profissionalismo de Joelma, diz que Chimbinha traiu e se desculpou, então que sigam em frente trabalhando juntos ou não, mas que decidam de uma vez. Não é fácil separar o pessoal do profissional em uma banda em que os donos são marido e mulher em pé de guerra de um divórcio. Joelma não perde uma oportunidade de deixar estampado seu desprezo ao ex-marido, Chimbinha faz de tudo para não se afastar da banda – além de ser seu ganha pão existe a visibilidade viciante de passar décadas em cima dos palcos.
Para quem foi só dançar “cavalo manco agora eu vou te ensinar, isso e muito mais você só vai encontrar no Pará”, bater cabelo e balançar os quadris, além de curtir sofrência com as músicas de fossa da banda (que são maravilhosas, como o hit “a Lua me traiu”), ver uma briga de casal no palco foi uma decepção.
Que Joelma e Chimbinha sigam os passos de Baby e Pepeu, se afastem da amargura televisionada e sigam caminhos separados com respeito silencioso pela história construída. Quem sabe um dia eles não fazem um reencontro musical que dê inveja aos Novos Baianos?
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FONTE: O Olho












