Um assassinato que aconteceu na noite desta segunda-feira (31) na localidade Cajueiro, município de Patos do Piauí. Um jovem identificado por Aurino Aldemir de Sousa, popularmente conhecido como Aurinete, foi morto a facadas.
O crime teria motivações homofóbicas, já que Aurinete era homossexual. A vítima teria sido atraída para uma estrada vicinal e lá, sofrido o ataque de, supostamente, três pessoas. Mesmo ferida, Aurinete conseguiu escapar até sua residência e foi encaminhada para o Hospital Regional Justino Luz, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu.
A vítima, antes de morrer, teria delatado os nomes de seus agressores. A polícia foi até o local do crime e conseguiu apreender uma motocicleta, até o fechamento dessa matéria nenhum suspeito foi preso, mas os policiais continuam em diligências.
HOMOFOBIA
Para a presidente do Fórum Nacional de Travestis e Transexuais (FONATRANS) e conselheira nacional de combate à discriminação LGBT, Jovanna Cardoso, o crime aconteceu pela condição de homossexual da vítima.
“O crime realmente tem conotações homofóbicas, a forma como a vítima foi atraída para o local do crime, é a mesma forma que os homofóbicos utilizam para assassinar as pessoas LGTBs, por exemplo, eles atraem as vítimas com oferta de sexo, e como a nossa região é uma região onde há dificuldades das pessoas LGBTS, então as promessas de sexo fácil, sempre atrai essa população. A gente tem certeza que esse crime foi um crime com requintes de crueldade”, explica.
Jovanna conta que na região de Picos assassinatos por esse tipo de preconceito são mais comuns do que imaginamos e Picos é uma cidade onde a homofobia é camuflada, segundo ela, as pessoas fingem aceitar, mas na verdade, ainda há muita discriminação.
A militante conta ainda que medidas acerca desse caso serão tomadas, ela afirma que o Grupo Brasileiro de Promoção à Cidadania de Picos está formulando um relatório contabilizando os casos que ocorreram na região a fim de denunciar a órgãos como a ONU para que medidas sejam tomadas e os culpados não saiam impunes.
“Hoje eu estou conselheira nacional de combate à discriminação e assim que eu estiver me organizado para ir a Patos, vou convocar uma comitiva de ativista para irmos falar com o delegado, com autoridades locais para que as providências sejam tomadas, também vamos redigir um documento para ser encaminhado ao delegado, à Segurança Pública e até a presidência da república, pedindo para que esse caso não passe impune, porque foi um caso premeditado de homofobia para vitimar uma pessoa que nada de mal vez à sociedade”, acrescenta Jovanna.
Jovanna faz um alerta às pessoas LGBTs para que se atentem aos possíveis perigos que estão suscetíveis.
“Eu quero deixar a mensagem para as pessoas LGBT da nossa região que fiquem atentos a esse caso de homofobia explícita, como tantos outros que já aconteceram, como o do antigo candidato a vereador, do nosso contador Cláudio, a travesti que foi assassinada a pedradas perto de um matagal no Junco, então que as pessoas fiquem atentos porque as pessoas são atraídas para locais ermos e depois são vitimadas pela homofobia”.
Jovanna conta também que mesmo havendo vários casos na região, nenhum foi solucionado de fato, a impunidade é o pior fator. Ela conta que é necessário pressionar a sociedade para que se possa obter resultados.
“Nós vamos organizar um manifesto e mobilizar as autoridades competentes, estamos elaborando um grande documento para denunciar ao Brasil, nas cortes internacionais, pelo grande número de assassinato de mulheres, travestis e transexuais no Brasil. Nós chegamos a mais de cem assassinatos até o meio do ano, estamos presenciando o genocídio de pessoas no Brasil. Picos não esta fora dessa estatística, esse último assassinato que aconteceu, Picos passa a compor essa linha de violência cometida a essa população LGBT”, conclui.








