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“Carne Fraca” e Piauí às cegas: Vigilância Sanitária não fiscaliza produtos denunciados

Como reflexo da operação “Carne Fraca”, alguns estados coletaram amostras de carnes e embutidos à análise das condições de consumo humano dessas mercadorias. No Piauí, não há propostas nesse sentido, conforme esclarece a Vigilância Sanitária do Estado e da cidade de Teresina. As informações foram dadas ao OitoMeia na manhã desta segunda-feira (20/03).

O órgão estadual pontua que não vai se pronunciar até a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) se posicionar oficialmente, enquanto o municipal destaca que a carne vendida no comércio teresinense está apropriada para o consumo.

Gerência de Vigilância Sanitária Municipal de Teresina (Gevisa) reconhece que não há fiscalizações contra as marcas pertencentes aos grupos JBS e BRF, citados na operação da Polícia Federal (Foto: Reprodução Jackson Ciceri)

A Gerência de Vigilância Sanitária Municipal (Gevisa) reconhece que não há fiscalizações contra as marcas pertencentes aos grupos JBS e BRF, citados na operação da Polícia Federal. “A Gevisa só coleta as amostras e encaminha ao Lacen [Laboratório Central de Saúde Pública do Piauí]. Diferente das análises feitas na investigação da Polícia Federal, as nossas são microbiológicas, ou seja, verifica-se se há presença de bactérias ou coliformes fecais. O outro tipo, chamada de físico-química, é mais complexo e acredito que não é feito no Lacen”, diz Ludimar Soares, médico veterinário e fiscal sanitário.

A responsabilidade do Município, por meio da Fundação Municipal de Saúde, é fiscalizar as feiras, mercearias e supermercados de Teresina. Nesse sentido, a Gevisa observa a data de validade das carnes e derivados, forma de condicionamento e higiene do estabelecimento, além de verificar se os produtos possuem selos de inspeção federal, estadual e municipal.

“As carnes estão sim próprias ao consumo, principalmente as compradas nos supermercados da capital. É interessante que a população também fiscalize para não comprar carne sem saber a origem”, continua Ludimar. O especialista esclarece que não há nenhuma proposta de fiscalização pela Gevisa contra as marcas citadas na operação “Carne Fraca”, mas, dependendo da capacidade do Lacen em realizar os exames físico-químicos, os produtos-alvo da PF podem ser submetidos a análises em Teresina.

Ministério da Agricultura destaca que todas as informações partam somente do gabinete do ministro, em Brasília (Foto: Reprodução Exame)

SUPERINTENDÊNCIAS CENSURADAS

Por outro lado, a Vigilância Sanitária do Piauí preferiu não se pronunciar até a Anvisa ter um posicionamento oficial. A assessoria de comunicação do órgão foi direcionada a encaminhar a imprensa à Superintendência do Ministério da Agricultura no estado, com sede em Teresina.

Já a superintendência pontua que recomendações de Brasília determinam que todas as informações partam somente do gabinete do ministro da Agricultura, com sede na capital federal. Qualquer outro servidor está impedido de conceder entrevistas à imprensa.

CONFIRA A DETERMINAÇÃO NA ÍNTEGRA

Prezados Servidores da SFA-PI/MAPA,

A Assessoria de Comunicação do MAPA, está concentrando todas as informações e entrevistas via Gabinete do Ministro, ficando assim, qualquer outro Servidor impedido de passar toda ou qualquer informação relacionada a Operação da PF, batizada de “Carne Fraca”, realizada no último dia 17/03 em Unidades da Federação do Ministério da Agricultura.

O Gabinete do Ministro determina também, que as Superintendências não darão entrevistas, a não ser que seja autorizada pela Assessoria de Comunicação.

SOBRE A OPERAÇÃO ‘CARNE FRACA’

Trinta e seis pessoas foram presas durante a Operação Carne Fraca deflagrada pela Polícia Federal (PF), na sexta-feira (17). De acordo com a PF, até esta noite de sábado (18), duas ainda estão foragidas: o empresário do frigorífico Frigobeto, Nilson Alves Ribeiro – que estaria na Itália – e o filho dele, Nilson Umberto Sacchelli Ribeiro, diretor da empresa.

Além das prisões, a Justiça Federal determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão das contas bancárias das 46 pessoas investigadas, e o Banco Central informou o bloqueio de pouco mais R$ 2 milhões. Não significa necessariamente que cada um dos investigados tenha R$ 1 bilhão. Este é um teto estipulado pela Justiça.

Segundo a Polícia Federal, fiscais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) recebiam propina para liberar licenças sem realizar a fiscalização adequada nos frigoríficos. A investigação indica que eram usados produtos químicos para maquiar carne vencida, e água era injetada nos produtos para aumentar o peso.

As carnes irregulares eram vendidas no Brasil e no exterior. Há também casos de papelão em lotes de frango e carne de cabeça de porco em linguiças. Ao todo, 22 empresas são investigadas na operação, das gigantes JBS e BRF – que controlam marcas como Seara, Perdigão e Friboi – a frigoríficos menores como Master Carnes, Souza Ramos e Peccin. As autoridades não detalharam quais irregularidades foram cometidas por cada empresa. As empresas afirmam que estão colaborando com as investigações e negam adulteração nos produtos. Há ainda a suspeita de que os partidos PP e PMDB eram beneficiados com propina.

FONTE: Oito meia

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