DestaqueGeralNoticias

Projeto propõe excluir BPC de pessoas com deficiência do cálculo de renda para acesso ao Bolsa Família

Proposta em tramitação na Câmara dos Deputados prevê mudança na regra atual e busca facilitar a inclusão de famílias que recebem o Benefício de Prestação Continuada

Roberta Aline/MDS

Uma proposta em análise na Câmara dos Deputados pretende alterar as regras de cálculo da renda familiar para pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e desejam acessar o Bolsa Família.

Atualmente, o BPC recebido por uma pessoa com deficiência integra o cálculo da renda familiar por pessoa, permitindo a acumulação com o Bolsa Família apenas quando a renda mensal per capita da família não ultrapassa R$ 218.

O projeto, de autoria do deputado Jadyel Alencar (Republicanos), propõe que o valor do BPC destinado à pessoa com deficiência seja excluído desse cálculo quando houver necessidade de auxílio permanente de terceiros para atividades básicas da vida diária.

Segundo o parlamentar, nesses casos, o benefício não representa uma renda adicional para a família, mas funciona como uma compensação diante da impossibilidade de o cuidador, muitas vezes um familiar, exercer atividade remunerada.

“O benefício, na prática, substitui a capacidade laboral do cuidador, frequentemente a mãe, que se vê impossibilitada de exercer atividade remunerada em razão da dedicação integral aos cuidados da pessoa com deficiência”, afirmou Jadyel Alencar.

Mudança poderia ampliar acesso ao programa

A proposta também prevê alterações no Benefício Complementar do Bolsa Família. De acordo com o texto, haveria uma redução de R$ 200 no valor pago a famílias compostas por apenas uma pessoa, mas essa redução não atingiria pessoas com deficiência ou com incapacidade permanente para o trabalho.

Para o deputado, a mudança permitiria incluir famílias atualmente fora do programa sem aumento do gasto público total.

Atualmente, a Lei nº 14.601/2023, que criou o novo Bolsa Família, determina que o BPC seja considerado no cálculo da renda familiar per capita para ingresso no programa. A legislação também prevê um Benefício Complementar para garantir renda mínima de R$ 142 por integrante da família.

Tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo na Câmara dos Deputados e será analisado pelas comissões de:

  • Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família;
  • Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência;
  • Finanças e Tributação;
  • Constituição e Justiça e de Cidadania.

Caso seja aprovado nas comissões e não haja recurso para votação em plenário, poderá seguir diretamente para o Senado. Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pelas duas Casas Legislativas e sancionada pelo presidente da República.

Da Redação (Com informações do Portal O Dia)
Comentários

Artigos relacionados

Fechar