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Piauí une órgãos para acolher 20 famílias venezuelanas refugiadas: “Ter uma vida digna”

O Piauí deve receber nos próximos meses cerca de 20 famílias venezuelanas que estão abrigadas no Brasil por conta da crise no país vizinho. Essa é a primeira vez que os estrangeiros vão desembarcar no Estado sob auxílio da Operação Acolhida, um projeto do Governo Federal. Aqui, o Piauí vai oferecer moradia, escola e trabalho aos membros inscritos no benefício.

Outros 17 estados brasileiros já adotaram o projeto, sobretudo no Sul e Sudeste. Na reunião dos governadores do Nordeste, os gestores estaduais se comprometeram em participar também.

Segundo Núbia Lopes, superintendente de Relações Sociais, é preciso ter estrutura para garantir dignidade aos refugiados venezuelanos. Isso o Piauí ainda está organizando.

“Ainda estamos desenhando a proposta, por isso não há previsão para que eles sejam trazidos ao Piauí. Mas, estamos acelerando esse processo. Tivemos a segunda reunião [na quinta-feira] e discutimos como eles serão acompanhados. É certo que vamos averiguar a rede existente e como cada órgão vai participar desse processo”, destacou ao OitoMeia.

Mais de 5 mil famílias venezuelanas já foram acolhidas em 17 estados do Brasil (Foto: REUTERS/Luisa Gonzalez)

CRIAR MEIOS PARA RECEBÊ-LOS COM DIGNIDADE

O projeto é acompanhado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), relativo à ONU. A ação dos Estados é uma ajuda humanitária e busca desafogar a situação de tensão existente na fronteira de Roraima com a Venezuela. O órgão informou que cerca de 5 mil pessoas já deixaram os abrigos no Norte do país e foram acolhidas por outros estados brasileiros.

Ela explica que vários órgãos vão conversar entre si para garantir um refúgio com dignidade aos venezuelanos no Piauí. As Secretárias de Saúde, de Educação, de Segurança e do Trabalho, por exemplo, estão envolvidas no processo.

“A ideia é recebê-los da melhor forma possível, para que tenham dignidade e possam restabelecer suas vidas. Eles serão acompanhados de três meses a um ano, dependendo de como cada família se adapta no município”, continuou a superintendente à reportagem.

QUESTÕES TRABALHISTAS

Um dos principais pontos a serem discutidos é a questão trabalhista. Como eles vão sobreviver aqui? Em outros estados, uma das maiores dificuldades é a inserção dos venezuelanos no mercado. Muitas famílias acabam voltando para a fronteira por não conseguir se manter nas cidades.

Núbia Lopes afirma que a questão será discutida, mas pode tomar dois sentidos: pelo incentivo de empresas e organizações ou pela inserção através de políticas públicas como o Sine e programas semelhantes.

“O órgão responsável vai encontrar soluções para a temática e isso vai ser discutido nas próximas reuniões. Nós vamos analisar a capacidade de suporte e recepção e relacionar os nichos de possibilidade de ocupação. Ter a qualificação dessas famílias vai nos ajudar a ver quais as áreas mais adequadas para absorvê-las”, concluiu Lopes ao OitoMeia.

Sem dinheiro, venezuelanos pedem trabalho ou ajuda para manter as famílias no Brasil (Foto: Unodc)

A CRISE NA VENEZUELA: RELAÇÕES DO BRASIL E TENSÃO NA RORAIMA

A Venezuela passa pela pior crise de sua história. A fome fez os venezuelanos perderem, em média, 11 quilos em 2018. A violência nas ruas gerou toques de recolher e um êxodo em massa para os países vizinhos. A economia também tem a pior recessão da história: são três anos de índices baixíssimos.

Combinação de fotos mostra Juan Guaidó e Nicolás Maduro (Foto: Yuri Cortez/ AFP)

A população pede a queda de Nicolás Maduro do poder, e Juan Guaidó se autoproclamou presidente do país. A decisão, inclusive, foi reconhecida por mais de 50 países, incluindo o Brasil.

Na política, o embate é constante. Apoiadores e opositores alimentam o clima de violência, despertando o alerta da Organização das Nações Unidas (ONU) e Mercosul. Nesse cenário, a falta de consenso entre a Venezuela e as demais nações latinas fez Maduro fechar a fronteira do país.

Famílias venezuelanas saem do país e protestos nas ruas continuam (Foto: Reuters)

Este ano, abaladas pela pobreza e hiperinflação, milhares de famílias saem com a roupa do corpo e caminham até 200 km em busca de refúgio. No Brasil, elas atravessaram a fronteira e se abrigaram em Roraima, entupindo as pequenas cidades que mal tinham o que oferecer à população que já vivia ali.

O resultado? confrontos com morte, venezuelanos com fome e morando nas ruas. O Governo Federal, então, em ajuda humanitária, decidiu criar a operação, articulando estados para receber os refugiados. Desde então, 17 deles abriram as portas para acolher as milhares de famílias. Mas, outras centenas caminham sem qualquer apoio até as cidades.

O dito “fracasso” da Venezuela foi largamente explorado nas eleições 2018. A oposição, sobretudo apresentada pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), disse que o mesmo poderia acontecer ao Brasil, já que o PT apoiava Hugo Chávez e Nicolás Maduro. Os petistas, por sua vez, lembraram que Chávez era militar e Maduro está no poder com o apoio das Forças Armadas.

Famílias venezuelanas em ônibus para outros países da América do Sul (Foto: Reprodução)

FONTE: Oito Meia

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