
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) voltou a demonstrar preocupação com a capacidade de atendimento à demanda de energia elétrica no horário de pico no Brasil. O alerta consta no Plano de Operação Energética (PEN) 2025-2029, que mostra agravamento no déficit de potência do Sistema Interligado Nacional (SIN), segundo o diretor de Planejamento do ONS, Alexandre Zucarato.
A situação pode levar à recomendação oficial da retomada do Horário de Verão ainda este ano, como forma de adicionar ao menos 2 gigawatts (GW) de alívio ao sistema. Para que a medida entre em vigor, a decisão precisa ser tomada até agosto, já que a implementação exige pelo menos três meses de antecedência.
“O PEN confirmou o diagnóstico do ano passado e mostrou agravamento do déficit de potência. Eventualmente, podemos recomendar o Horário de Verão como imprescindível”, disse Zucarato ao Estadão/Broadcast.
Cenário de risco e medidas emergenciais
Zucarato explicou que o Brasil vive uma situação paradoxal: há sobra de energia ao longo do ano, mas falta potência para atender a ponta do consumo, especialmente à noite. Parte disso é resultado do crescimento da geração solar, que não atende a demanda noturna.
De acordo com os dados do PEN 2025-2029, a mini e microgeração distribuída solar (MMGD) deve passar de 35 GW para 64 GW nos próximos anos. Já a solar centralizada subirá de 16,5 GW para 24 GW, e a eólica de 32,5 GW para 36 GW. No total, a capacidade do SIN deve crescer de 232 GW para 268 GW até 2029 — com quase 40 GW desse aumento vindos da energia solar, incapaz de garantir potência no horário de pico.
“É aí que a gente enxerga que o critério de atendimento da ponta, que já não estava sendo atendido, fica ainda mais comprometido. Esse déficit estrutural se aprofunda”, alertou o diretor.
Outras medidas emergenciais em análise incluem a importação de até 2,5 GW de energia de países vizinhos e o acionamento da resposta da demanda — sistema no qual grandes consumidores são pagos para reduzir o consumo em horários críticos. No ano passado, essa estratégia gerou apenas 100 megawatts (MW) de economia. A contratação da resposta de demanda de 2025 está prevista para o próximo dia 16 de julho.
Falta de leilões agrava o problema
Zucarato criticou a ausência de leilões anuais de reserva de capacidade, recomendados pelo ONS desde 2021. Em 2025, segundo ele, não há mais tempo hábil para contratar nova capacidade por meio de leilões. A saída, caso as chuvas atrasem no fim do ano, será organizar o mais rapidamente possível um novo Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) para 2026.
“O principal recado do PEN é que não estamos atendendo os critérios de potência, e a situação piorou devido ao crescimento da demanda. Para 2025, já não há mais o que fazer”, afirmou Zucarato.
Da Redação (Com informações do Portal O Dia)







