
Os efeitos do fenômeno climático El Niño devem ser menos intensos no Piauí durante o segundo semestre de 2026, segundo avaliação do consultor em climatologia da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Pedro Abelardo.
De acordo com o especialista, embora autoridades climáticas internacionais tenham alertado para a possibilidade de um dos eventos de El Niño mais fortes da história, o cenário para o estado não indica impactos severos, principalmente porque o fenômeno ocorrerá durante um período naturalmente marcado por estiagem e altas temperaturas.
“Sobre o El Niño, estamos tentando desmistificar por vezes essa questão dos seus efeitos. Em 2015, ele alcançou níveis acima de 2°C e acredito que o estado do Piauí estava muito menos preparado do que está hoje”, afirmou Abelardo.
Segundo o consultor, os principais efeitos do fenômeno estão relacionados às alterações nas condições de temperatura e umidade. No Piauí, a redução das chuvas pode não ser percebida de forma significativa, já que o segundo semestre tradicionalmente apresenta baixos índices pluviométricos.
“Chove uma média de 50 milímetros no estado, por volta de outubro e novembro, períodos mais secos. Se o El Niño atuar e reduzir a pluviometria para 30 ou 20 milímetros, praticamente não vamos sentir, porque já é uma tendência natural do segundo semestre ter baixos acumulados de chuva”, explicou.
Apesar da previsão de impactos limitados, Abelardo destacou que existe possibilidade de ocorrência de temperaturas acima da média. No entanto, ainda não há estimativa precisa sobre o aumento esperado.
“Infelizmente, não tem nenhum grau definido, se vai ser 1°C ou 2°C. Não temos essa informação porque não há uma previsão global de temperatura disponível”, disse.
Estado reforça ações de prevenção
Durante coletiva de imprensa, técnicos da Semarh e da Defesa Civil do Piauí apresentaram medidas que estão sendo adotadas para reduzir possíveis impactos relacionados ao clima, principalmente nas áreas de segurança hídrica, combate a incêndios e enfrentamento de temperaturas extremas.
Entre as iniciativas está a Operação Piauí Sem Queimadas, que reúne ações de monitoramento de focos de calor e apoio aos municípios com histórico de incêndios.
Segundo a superintendente da Semarh, Vitória Alzenir, foram identificados os 20 municípios com maiores áreas queimadas nos últimos cinco anos. Essas cidades receberam equipamentos para fortalecer as brigadas locais, incluindo Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), roupas de combate e sopradores.
O Estado também prepara a Operação BRO-Bró, voltada para o enfrentamento do período mais quente do ano, além do reforço da Operação Água e Vida, que tem como objetivo ampliar a segurança hídrica dos municípios do semiárido piauiense.
A expectativa dos órgãos estaduais é manter o monitoramento climático e ampliar ações preventivas para reduzir os impactos de possíveis eventos extremos ao longo de 2026.
Da Redação (Com informações do Cidade Verde)







