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Produtores de mel do Piauí se reúnem para discutir impactos das tarifas dos EUA e futuro do setor

Evento em São Raimundo Nonato reúne apicultores, cooperativas e gestores para debater exportações, agricultura familiar e novas regras para criação de abelhas nativas

Divulgação / CCOM

Empresários, apicultores e agricultores familiares do setor do mel no Piauí irão se reunir na próxima sexta-feira (17), em São Raimundo Nonato, para discutir os desafios e as perspectivas da cadeia produtiva diante das novas tarifas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos.

O país norte-americano é o principal comprador do mel produzido no Piauí, e as mudanças nas relações comerciais têm gerado preocupação entre produtores e exportadores, que dependem do mercado internacional para escoar grande parte da produção.

O debate será realizado durante o Conexão Mel do Sertão 2026, evento que reunirá representantes da apicultura, cooperativismo, agricultura familiar e do poder público para discutir estratégias de fortalecimento do setor no Território Serra da Capivara.

Piauí é destaque nacional na produção e exportação de mel

O Piauí ocupa atualmente a segunda posição entre os maiores produtores de mel do Brasil, com cerca de 8,6 mil toneladas produzidas e valor superior a R$ 100 milhões.

O estado também lidera as exportações brasileiras do produto. Em 2025, foram embarcadas aproximadamente 9 mil toneladas de mel para países como Estados Unidos, Alemanha, Itália e Japão, movimentando cerca de R$ 120 milhões, segundo dados da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF).

A atividade representa fonte de renda para aproximadamente 12 mil famílias piauienses.

Os Estados Unidos concentram a maior parte das compras do produto brasileiro, adquirindo cerca de 83% do mel exportado pelo país e praticamente toda a produção destinada ao mercado externo pelo Piauí.

Tarifas americanas preocupam produtores

A possibilidade de aumento das tarifas sobre produtos brasileiros pelo governo dos Estados Unidos trouxe preocupação ao setor. Segundo produtores, uma eventual elevação dos custos de exportação pode afetar diretamente a renda de milhares de famílias que dependem da apicultura.

Em julho, empresários brasileiros participaram de uma audiência pública em Washington para defender a competitividade do mel nacional junto às autoridades americanas.

No Piauí, a discussão será aprofundada durante o Conexão Mel do Sertão, que terá participação de cooperativas, especialistas e gestores públicos.

São Raimundo Nonato é referência na produção

O município de São Raimundo Nonato ocupa posição de destaque na produção nacional de mel. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município foi o quarto maior produtor de mel do país em 2024, com 922,4 toneladas colhidas.

Durante o evento, será apresentado o plano de negócios da Cooperativa Mel do Sertão, além de palestras sobre desenvolvimento da apicultura, cooperativismo e políticas públicas para o setor.

A programação contará com a participação de representantes como a secretária de Agricultura Familiar, Rejane Tavares, e parlamentares.

Nova lei fortalece criação de abelhas nativas

Outro tema em debate será a nova legislação que regulamenta a criação de abelhas nativas sem ferrão no Piauí, atividade conhecida como meliponicultura.

A norma permite a comercialização de produtos como mel, própolis, pólen e cera dessas espécies, além de criar regras simplificadas para regularização dos criadores.

Entre as mudanças estão:

  • Dispensa de licenciamento ambiental para criadores com até 50 colmeias;
  • Criação da Autorização de Uso e Manejo de Fauna (AMF), emitida pela Secretaria de Agricultura Familiar;
  • Prazo de três anos para que produtores já existentes se regularizem.

A medida é considerada um avanço para retirar da informalidade uma atividade tradicional do semiárido, envolvendo espécies como jandaíra e tiúba.

Enquanto o setor comemora novas oportunidades de formalização, produtores acompanham com atenção as negociações comerciais com os Estados Unidos, que podem influenciar diretamente o futuro da apicultura piauiense.

Da Redação (Com informações do Portal O Dia)

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